Cada um na sua lei - Tolerância religiosa e salvação no mundo atlântico ibérico

    Stuart B. Schwartz

    Companhia das Letras
    2009
    488 páginas
    16h 16m
    ISBN-13: 9788535914993
    Português Brasileiro

    Pode parecer improvável que um historiador descubra atitudes de tolerância religiosa na Espanha, em Portugal e em suas colônias ultramarinas dos séculos XVI ao XVII, quando a Inquisição moderna procurava garantir por meios brutais a manutenção da ortodoxia católica. Pois é exatamente o que faz Stuart B. Schwartz neste livro. Ancorado em imenso corpo documental garimpado sobretudo nos arquivos inquisitoriais , o historiador investiga, e defende, a ideia de que o pensamento e comportamentos tolerantes floresceram no mundo luso-hispânico. Ainda mais surpreendente, seu foco não é a elite culta ou o trabalho de paladinos da tolerância; antes, se debruça sobre as pessoas comuns, revelando um universo em que uma longa tradição de transigência, o bom senso ou a simples indiferença promoveram e possibilitaram a convivência de múltiplas crenças. É claro que o autor não nega a perseguição às bruxas européias ou aos conversos no mundo ibérico, as guerras de religião ou a rede institucional encarregada de castigar os desvios da fé. Mas não é esse o foco do livro: adotando a perspectiva de síntese que lhe é característica, mas apegado à descrição necessária a uma boa história antropológica, Schwartz conduz o leitor a uma viagem extraordinária pelos conventículos de judaizantes e mouriscos no mundo ibérico, buscando não seu isolamento, mas suas conexões com o universo dos católicos. O percurso continua pelos domínios americanos de Espanha e Portugal, periferia do mundo onde as leis religiosas se multiplicavam, resultado da diversidade de povos e da intensidade das mesclas típicas da colonização. O livro esvazia, enfim, os clichês adotados por muitos historiadores, ao sublinhar as dúvidas e os dilemas identitários mais do que o oficialismo dogmático das religiões. Acima de tudo, legitima a religião como campo de estudo relativamente autônomo, ao reconhecer a importância que a salvação da alma possuía para os indivíduos.

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