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    O Primo Basílio (Coleção Prestígio) -

    Eça de Queiroz

    Ediouro / Tecnoprint S. A.
    1985
    250 páginas
    8h 20m
    ISBN-10: 8500714735
    Português
    4
    13 avaliações
    Leram28Lendo3Querem16Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos0Desejados16Avaliaram13

    A história gira em torno de Jorge e Luísa, um casal burguês de Lisboa. Ele é engenheiro e ela, uma jovem esposa sonhadora, mimada, que vive uma vida fútil, mergulhada na literatura romântica. Os amigos do casal compõem um grupo de diferentes tipos humanos: o conselheiro Acácio, exemplo do homem convencional, de fala rebuscada e sem nenhum pensamento original, D. Felicidade, uma beata solteirona que nutre uma paixão secreta pelo conselheiro Julião, o médico Ernestinho, primo de Jorge, funcionário público que, nas horas vagas, dedica-se inteiramente ao teatro e Sebastião, fiel amigo do engenheiro, que guarda um amor delicado e secreto por Luísa. Dentro da casa, duas empregadas: Joana, a cozinheira, e Juliana, a arrumadeira, sempre mal-humorada, com um ódio profundo aos patrões em geral, invejosa dos bens que ela não conseguira ter na vida. Luísa tinha ainda uma amiga chamada Leopoldina, uma mulher muito bonita, de vida independente, mas que só podia visitar às escondidas de Jorge, porque ele a considerava má companhia para a esposa. Jorge vai viajar por algumas semanas e Luísa fica só em Lisboa. Recebe a visita inesperada de seu primo Basílio, com quem tivera um caso antes de se casar. Reatam a velha intimidade e tornam-se amantes. Ela fica seduzida por seus modos de homem viajado, elegante e moderno, que vivia em Paris e conhecia muitos outros países. Ele, no fundo, quer apenas passar o tempo na sonolenta Lisboa. Enquanto Luísa fantasia seus amores com Basílio, ele se preocupa apenas em arranjar um quartinho nos arrabaldes para seus encontros amorosos. Começam a ver-se tão frequentemente que a vizinhança percebe o que está acontecendo. Luísa comete a imprudência de escrever cartas a Basílio e, sem se dar conta, joga no lixo alguns rascunhos de suas declarações de amor. Juliana, que vivia a espreitá-la, recolhe e guarda esses rascunhos. Depois, consegue pegar duas cartas de Basílio para Luísa. De posse dessas provas do adultério, começa a chantagear Luísa, exigindo dinheiro para ficar quieta. Basílio promete ajudar mas cai fora, partindo para Paris e deixando Luísa à mercê de Juliana, que, entre outras exigências, obriga a patroa a fazer serviços de empregada. Quando Jorge retorna, começa a perceber a situação absurda que se criou em casa, com a mulher trabalhando e obedecendo a empregada. Desesperada, Luísa resolve contar o que está acontecendo a Sebastião, que elabora um plano para ajudá-la a resolver essa situação.

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    Resenhas (3)Ver mais
    Samira Santos picture
    Samira Santos06/11/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    QUEIROZ, E. de.

    O primo Basílio foi sem dúvidas o livro que mais me surpreendeu este ano. Achei que seria só mais um romance com tom "de época", mas foi bem mais do que isso. A história é muito interessante, um casal de primos que tem um namorico de adolescência e depois são separados pelas circunstâncias, ela se casa e passa a ter uma vida estável. Certo dia o marido viaja e seu querido primo chega à cidade. A oportunidade perfeita para um adultério. A única coisa que eu não gostei e achei que deixou a desejar foi o final, a morte de Luísa foi dramática em excesso. Afinal, ela tinha sim culpa no cartório, claro que lidar com tudo sozinha foi difícil e a sobrecarregou, mas daí a levá-la a morte? Um pouco demais para mim. Uma personagem que de início era tão forte ter um final desses, é no mínimo contraditório.

    4 curtidas

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    Avaliações

    4 / 13
    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas8%
    • 2 estrelas15%
    • 1 estrelas0%
    José Maria de Eça de Queiroz profile picture

    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

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    José Maria de Eça de Queiroz