A IDEOLOGIA DO MOVIMENTO ESCOLA SEM PARTIDO - 20 AUTORES DESMONTAM O DISCURSO

    Ana Lúcia Silva Souza, Cleomar Manhas, Daniel Cara, Denise Carreira, Denise Eloy, Ednéia Gonçalvez, Eduardo Girotto, Fernando Abrucio, Fernando Penna, Frei Betto, Joana Salém Vasconcelos, Juliane Cintra, Leonardo Sakamoto, Magi Freitas, Moacir Gadotti, Paulo Candido, Roberto Catelli Jr., Rodrigo Ratier, Salomão Ximenes, Toni Reis

    AÇÃO EDUCATIVA
    2016
    165 páginas
    5h 30m
    ISBN-13: 9788586382444
    Português Brasileiro

    O pluralismo de ideias constitui a educação, que tem papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Assim, a Ação Educativa lança a coletânea “A ideologia do movimento Escola Sem Partido – 20 autores desmontam o discurso”. São 18 artigos, alguns já publicados na grande mídia e outros escritos especialmente para essa edição. “Sob diversos enfoques, os artigos reunidos expõem claramente a natureza autoritária de um movimento que esconde sua própria ideologia na tentativa de silenciar visões de mundo divergentes”, afirma Vera Masagão Ribeiro, doutora em Educação pela PUC-SP e coordenadora executiva da Ação Educativa, ao apresentar o livro.

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    Marcelo Gabriel Delfino24/06/2017Resenhou um livro
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    Não é preciso muita inteligência para resumir os argumentos dessa coletânea. Há uma citação de Paulo Freire (naturalmente!) que diz que a obrigação do professor é preparar o aluno para um mundo de disputa. Basicamente a classe dominante impõem sua ideologia e o papel do professor é mostrar para o aluno que tudo que tentam lhe impor é uma violência e que ele deve ser crítico, desafiando o poder até criar um mundo mais justo, correto, moral. Ora, o esquema é simples, portanto: classe dominante impõem sua ideologia e a escola, através do pensamento crítico, forma pessoas capazes de desafiar esse mundo capitalista opressor. São inúmeras as vezes que os autores se referem à direita como homofóbica, misógina, racista, cristã (esse talvez seja o maior pecado que se pode cometer), etc, etc, etc. Disso se entende que pensamento crítico, ou pensamento, porque eles acreditam que as duas expressões são sinônimas, é mostrar que a direita é o retrocesso para a escravidão, para a exploração, para as mais variadas violências. Acho que não preciso mais de nenhum argumento contrário a esse livro, porque se ele se diz defensor do pensamento e coloca seu inimigo como tudo que há de mais asqueroso na humanidade, não precisa ir muito longe para saber que ali pode haver de tudo, menos pensamento crítico, ou pensamento, para ser mais exato. Há apenas uma disseminação de estereótipos sobre aqueles que pensam diferente e a construção de um mundo cor de rosa sobre o socialismo, que não corresponde à realidade, mas que os alunos terão que buscar em outras fontes para aprender. Vou dividir três casos que eu vi com meus próprios olhos para mostrar o quanto o pensamento crítico é bonito. No colegial eu tinha uma professora de história que dizia que formar estudantes era formar subversivos. Ela nos ensinou que não havia esquerda nos EUA e que o Nazismo era de direita. Segundo ela, no que a seguíamos bovinamente, tão encantados de estar contrariando nossos pais e pensando por conta própria, o Papa era um FDP, que ajudou a derrubar o comunismo e dar a vitória ao capitalismo. Eu me sentia tão inteligente. Frequentemente discutia com meus pais católicos para mostrar que o Vaticano era a coisa mais escrota que já houve na humanidade. Ah, ela nos ensinou que Getúlio Vargas era um ditador de direita, nazista mesmo, retrógrado, moralista. Depois isso mudou porque Lula, muito coerentemente, diga-se, admira o ditador (como admira todos os ditadores) e restituiu Vargas a um grande governo, um verdadeiro brasileiro que acreditava no Estado controlando tudo, desde a roupa das pessoas na praia até as empresas estatais (hoje metidas em escândalos sem fim). Um segundo exemplo, já na faculdade, quando tive um professor do PC do B. Quando fizemos sua prova, eu estava errado porque não fiz a crítica de Max Weber a partir de Perry Anderson e sim o contrário. Nunca vou esquecer sua má vontade quando eu questionei se estava errado de fato ou se o problema era ideológico. Por fim, um ex-professor de faculdade, muçulmano, que a cada ato contra a religião da paz fala de ódio, mas silencia vergonhosamente a cada ato terrorista (toda semana, veja só) de muçulmanos. Mas, como grande intelectual, chefe de departamento, ele tem uma explicação para os ataques: só acontecem em países que intervém no mundo árabe ou apoiam Israel, o grande satã para a esquerda, como se sabe. Esse também soltou a pérola de Hillary Clinton era de direita e Trump de extrema direita. É claro que para pessoas assim, ser um ativista é ser intelectual. Desde a célebre tese da “Ideologia Alemã”, onde é preciso transformar o mundo e não apenas pensá-lo, os “intelectuais” estão livres de ser coerentes ou buscarem a verdade, eles precisam mesmo é lutar pela libertação da humanidade das garras da burguesia. Agora, como fazer isso? Explicando para os alunos (e há depoimentos doces de alunos reproduzindo o vocabulário de seus professores, sem ter a menor ideia do que estão fazendo, por todo o livro) que quem não concorda com eles é retrógrado, preconceituoso, explorador, e só quer o seu mal. Saibam disso, seus pais querem o seu mal, querem a sua sujeição; enquanto seus professores, que muitas vezes não sabem nem o seu nome, e estão ali para garantir seus salários (muitas vezes bons salários), esses sim querem o seu bem, te ensinando um monte de bobagem ideológica para você apoiar as passeatas pró-Lula em troca de R$ 30 (trinta moedas?) e um sanduíche de mortadela. Viva o pensamento crítico!

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