A violência é assustadora. Tememos a violência em todas as suas formas, seja a violência da Natureza, seja a violência dos Homens. Entretanto, com o desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia conseguimos nos proteger melhor da violência da Natureza e nos tornamos mais vulneráveis à violência humana. A violência provoca sofrimento. Quanto maior a violência, maior o sofrimento. Mas o sofrimento mais persistente e insidioso é aquele que brota da memória da violência sofrida. Ele nos assedia permanentemente e pode nos aprisionar num mundo violento sem saída. A violência produz uma sensação de lucidez, rompendo nossa interpretação cotidiana da realidade, ela parece revelar de modo privilegiado a "loucura" do mundo onde vivemos, a violência do mundo. Diante desta violência nos sentimos impotentes frente aos acontecimentos da nossa própria vida. No entanto, o que a experiência de sofrer violência traz à luz é, na verdade, nossa condição precária de mortais. Somos, todos nós, indigentes no sentido de sermos vulneráveis à violência o tempo todo. Em nossa fragilidade relativa, experimentamos sentimentos de desamparo e solidão que são próprios da nossa condição humana. Resgatar a experiência de sofrer violência como revelação desta indigência, não apenas recupera o sentido do nosso cuidar cotidiano com nossa própria vida, como permite uma ampliação da compreensão da existência humana como tal.
Transtorno do Estresse Pós-Traumático. Uma Compreensão Fenomenológico-Existencial da Violência Urbana
Ida Elizabeth Cardinalli
Escuta
2016
148 páginas
4h 56m
ISBN-13: 9788571373808
Português Brasileiro
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