Andar Entre Livros - A Leitura Literária na Escola

    Teresa Colomer

    Global
    2007
    207 páginas
    6h 54m
    ISBN-13: 9788526012332
    Português Brasileiro

    Convencida de que os livros são os melhores colaboradores dos professores na educação leitora, Teresa Colomer com este Andar entre livros pretende contribuir na construção de um quadro de atuação educativa que se alimenta tanto dos avanços teóricos quanto da aplicação prática. O livro está organizado em duas partes. A primeira se dedica a três aspectos que interagem no processo da educação literária: a escola, os leitores e os livros; a segunda expõe a inter-relação destes elementos com quatro possibilidades de leitura que ajudam os professores a programar suas atividades de animação leitora: leituras individual e coletiva, sua expansão em áreas distintas do conhecimento, assim como a escola como guia especializado na interpretação dos textos. Andar entre livros é uma obra de consulta essencial para quem se interessa em inovar suas atividades de promoção da leitura nas aulas ou fora delas, pois descreve 'a maneira em que tanto livros como docentes trabalham em conjunto para elaborar um itinerário de leitura, que permite levar as novas gerações as possibilidades de compreensão do mundo e da fruição da vida que a literatura abre'.

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    Graziele Soares20/11/2017Resenhou um livro
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    Conheci o “Andar Entre Livros:a leitura literária na escola”(2007) para fazer um seminário de uma disciplina na graduação. E assim como um dos assuntos abordados na própria obra, me peguei pensando na leitura guiada, aquela que fazemos para um determinado objetivo. Diferente de muitas atividades de muitas escolas – inclusive a que estudei no ensino médio - tive a oportunidade de escolher a obra na qual iria trabalhar. Isso de alguma forma me aproximou mais da obra e retirou um pouco o peso da obrigatoriedade que é ler um livro inteiro para uma disciplina e para um fim. O livro de Teresa Colomer busca uma reflexão sobre o trabalho em conjunto dos professores e livros para que a literatura seja vista pelas novas gerações como uma possibilidade de enxergar o mundo de uma outra forma, fazendo com que as novas gerações adquiram senso crítico e gosto pela leitura. O livro é dividido em duas partes: a primeira consiste em três capítulos dedicados ,primeiramente, à escola,em segundo,aos leitores ,e em terceiro, aos livros. A escola como principal mediador de acesso dos alunos aos livros . Os leitores, que irão desenvolver suas capacidades e competências através dos livros. Vemos na primeira parte também uma visão do ensino de literatura a partir de uma perspectiva histórica. Nesta parte somos chamados a refletir questões como o que torna alguém um leitor literário competente. No ensino que vivenciamos – assim como o apresentado na obra – vemos que diversos sistemas de ensino – e professores! – tendem a privilegiar o ensino de língua ao ensino de literatura nas suas aulas de português. Isso quando a literatura consegue um papel secundário; em algumas realidades ela é inexistente ou é usada como suporte para estudo linguístico. Os alunos são expostos à literatura nas aulas de sintaxe ou aulas cujo conteúdo são as figuras de linguagem, por exemplo. Também nos é suscitadas questões como qual seria a utilidade da literatura. Seria capaz introduzir a literatura nas aulas também como leitura de fruição? Como os alunos reagiriam à uma aula em que um professor lê sempre um texto literário – seja conto, crônica ou poema – sem que haja um fim específico? Penso que romper o pensamento de que a literatura é uma matéria menos importante pois não tem utilidade facilmente reconhecida no meio biossocial é fazer com que os alunos reconheçam um sentido na literatura. Fazer com que eles a vejam como algo capaz de dá-los prazer ou incômodo, incômodo esse que os tire de uma zona de conforto e os faça refletir. Um assunto abordado também nesta primeira parte e que foi diretamente relacionado por mim ao Brasil é o incentivo de programas governamentais para que os alunos tenham acesso aos livros. Aqui no Brasil tivemos alguns programas entre eles o PNBE – já “extinto” – que fazia com que os livros chegassem na escola, mas para isso passavam por uma seleção. Fica a questão: por meio dessa seleção realizada por um programa governamental cabia livros que suscitasse uma reflexão sobre o país? Ou sobre seus problemas estruturais? Ou a literatura disponibilizada para a escola por meio do PNBE mais afastava as crianças do pensamento crítico sobre sua realidade do que o contrário? Na segunda parte vemos sugestões acerca de como planejar e estimular a leitura. Como seria um corpus capaz de ser atraente para os alunos – independente de sua faixa etária – e ao mesmo tempo um corpus que compreendesse os critérios para o ensino de literatura? Seria possível aplicar o chamado “cânone literário” e ainda assim aproximar os alunos da literatura? O “cânone literário” é o que tem as melhores obras? Quais os critérios para colocar uma obra na lista das melhores e na lista do ensino escolar? Muitos alunos rejeitam a literatura porque tiveram experiências difíceis com ela durante sua trajetória escolar. Receberam nota baixa porque suas leituras de uma obra não corresponderam a dos professores e com isso suas subjetividades foram ignoradas, ou talvez o peso da obrigatoriedade da leitura de uma obra em sua integralidade tenha sido um fator relevante para a repulsa à literatura.Ou suas escolhas literárias tenham sido criticadas por alguém. Nisso, pensamos na leitura compartilhada - assunto tratado na obra – que nos mostra que debater,conversar e compartilhar leitura pode ser um bom caminho para incentivar que os alunos se tornem leitores. Também encontramos na segunda parte do livro questionamentos sobre como os mediadores de leitura podem auxiliar os alunos a se enxergarem como leitores e para isso deve-se respeitar o itinerário de leitura que cada um constrói ao longo de seu percurso. Nem sempre o que julgamos por melhores obras – ou autores – ou por cânone literário são as portas de entrada para as crianças como leitores. Há uma questão interessante (mais precisamente,no capítulo 7) sobre como desfazer a dicotomia escrita x leitura. Mesmo que a recepção e a produção de textos necessitem de competências diferentes, quando são pensadas através de uma interface, muitos alunos conseguem desenvolver as suas habilidades. Em outras palavras, é mais fácil para um aluno entender a estrutura de um poema , escrevendo um poema do que só lendo teoria a respeito. O mesmo acontece com outros gêneros. Com isso, pensamos que leitura e escrita podem ser trabalhada de forma conjunta, sem que haja uma atividade sendo priorizada em detrimento da outra. "Andar Entre Livros:a leitura literária na escola”(2007) nos convida a pensar como podemos inserir os alunos no mundo da leitura sem que haja por parte deles algum tipo de rejeição - pelo fato de ser uma disciplina – mas que também não haja desleixo quando a leitura for totalmente livre – se é que há leitura totalmente livre – e incentivar que a literatura seja vista sob diferentes perspectivas, seja ela histórica, social, formal e etc. Esse livro nos convida a pensar que a literatura tem sim um espaço importante para a formação do aluno como individuo e que ao mesmo tempo é uma atividade repleta de prazer.

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