"Gostaria de vos contar coisas dessa gente. Coisas da vila do Alentejo cálido e bárbaro e dos heróis que lhe dão nervos ou moleza, risos ou tragédias. Apetece-me abrir ao acaso páginas do passado e recolher, entre outros, o Loas advinho do futuro; o Vieirinha, que rasgou o Amazonas e é homem para engoar se, na sua frente, um pareceiro sobejo mergulhar os dedos numa panela de molhangada; o Barão, que dependurou o pescoço numa forca; a D. Quitéria, cuja casa cheirava a mofo, a rezas e a gotas balsâmicas que trancassem as portas à gripe. E gostaria de vos falar ainda dos trigos e dos poentes inciendiados, dos maiorais e dos lavradores, do espanto dos dias, do apelo confuso da terra, da solidão." (Fernando Namora, O Trigo e o Joio)

