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    O trigo e o joio -

    Fernando Namora

    Nórdica
    1987
    334 páginas
    11h 8m
    ISBN-10: 8570071140
    Português
    3.6
    21 avaliações
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    "Gostaria de vos contar coisas dessa gente. Coisas da vila do Alentejo cálido e bárbaro e dos heróis que lhe dão nervos ou moleza, risos ou tragédias. Apetece-me abrir ao acaso páginas do passado e recolher, entre outros, o Loas advinho do futuro; o Vieirinha, que rasgou o Amazonas e é homem para engoar se, na sua frente, um pareceiro sobejo mergulhar os dedos numa panela de molhangada; o Barão, que dependurou o pescoço numa forca; a D. Quitéria, cuja casa cheirava a mofo, a rezas e a gotas balsâmicas que trancassem as portas à gripe. E gostaria de vos falar ainda dos trigos e dos poentes inciendiados, dos maiorais e dos lavradores, do espanto dos dias, do apelo confuso da terra, da solidão." (Fernando Namora, O Trigo e o Joio)

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    Amanda Monteiro12/07/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    História de conexão com a terra e desafios morais

    Como uma das principais obras do neorrealismo português, fiquei tentada a ler o livro de Namora desde que soube que ele era o Jorge Amado de Portugal. O seu romance, "O Trigo e o Joio" narra a vida rural de uma família no Alentejo que busca, na plantação de trigo, um futuro melhor, lutando para manter o seu pedaço de terra e comprar uma burra para ajudar na colheita, ao mesmo tempo que enfrentam pressões sociais e culturais da comunidade ao seu redor.  O livro tem uma linguagem um pouco cansativa, no começo confesso que foi difícil pegar o ritmo da leitura, mas entendo que, por ser escrito no português de Portugal e usar algumas expressões da região do Alentejo, contribuiu para o estranhamento e densidade da narrativa. Apesar disso, o que mais me chamou atenção em toda a narrativa foi a relação dos personagens com a terra. A terra é o principal guia da vida dessas pessoas que dependem dela, influenciando no seu humor, sustento, futuro e interações sociais, sendo a verdadeira protagonista ao longo da história.  Além disso, foi interessante perceber a conexão do título com a obra em si, na qual Namora usou a parábola bíblica como uma metáfora poderosa para abordar as injustiças sociais, a luta dos oprimidos e a convivência do bem e do mal na sociedade rural portuguesa. O final me surpreendeu, especificamente a última cena do livro, o que deixa em aberto a diferentes interpretações para as motivações que levaram ao fato.

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