A questão apresentada já no título deste livro é a pergunta de muitos cristãos, inclusive de católicos. Foi uma pergunta que eu, por um bom tempo, fiz, e acredito que este livro me esclareceu boa parte das dúvidas em que antes tinha. Sabemos através do anjo Gabriel que Maria é a cheia de graça. As Escrituras comprovam tal dito. Sabemos que ser cheio de graça é ser cheio de Deus, pois a graça se dá através da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo. A graça é o Espírito Santo, conforme bem aborda Raniero Cantalamessa em seus livros Amai-vos até o fim e As Primícias do Espírito Santo (não me lembro ao certo em qual dessas obras o teólogo franciscano traz este ensinamento, mas sei que é em um destes escritos sobreditos).
Sabemos também que Maria foi predestinada por Deus para ser a Mãe do Salvador. Contudo, Maria não foi escrava da predestinação, porque houve nela liberdade de escolha. Sim, houve a tríplice característica de toda a vocação: 1 proposta feita pelo próprio Deus a pessoa, isto é, um chamado; 2 resposta da pessoa; 3 responsabilidade da escolha tomada (cf. TOLEDO, 2016, p. 34). Os discípulos, como Pedro, João, Mateus (sim, o cobrador de impostos) e os demais foram chamados por Deus, Maria, portanto, também teve a sua vocação, isto é, seu chamado à maternidade messiânica, da qual foi predestinada (cf. ibid, 2016, p. 34s). Sendo assim, se houve vocação, houve liberdade de escolha da parte da Mãe de Deus.
Acontece que o autor esclarece em seu livro que há uma diferença entre livre-arbítrio e liberdade. Embora o livre-arbítrio possa trazer a possibilidade da escolha do mal, quanto mais a pessoa se encontra na graça de Deus, mais livre ela, menos propensa ao mau, ela será (cf. ibid, 2016, p. 41). Maria não tinha a concupiscência (cf. ibid, 2016, p. 16), sendo assim, não tinha nenhuma inclinação ao mau em sua escolha (cf. ibid, 2016, p. 40). Mas para mais detalhes sobre a obra, recomendo que a leiam, para compreenderam uma série de fatores que em uma resenha não tem como meditar, tal como o coração novo que Deus deu a Maria, para que ela seja cheia de graça.
Recomendo a todos os cristãos a leitura deste livro! É uma obra que, ainda que seja pequena, é esclarecedora! Possui bases bíblicas e na tradição cristã, com bons fundamentos teológicos, escritos de forma acessível para que o leitor possa meditar com o autor. Vale a pena a leitura!