Uma das obras fundamentais do período final do medievo e início do "Renascimento"
Nicolau de Cusa escreveu uma obra instigante, mas cuja leitura não é das mais simples. Partindo de uma concepção teológica que, a princípio, não traz muitas dificuldades para ser compreendida (uma teologia apofática, na esteira da reflexão do Pseudo-Dionísio), o autor envereda, contudo, por uma via que apresenta alguma dificuldade para o leitor, ao inserir, no seu pensamento, uma intersecção com a geometria. Nicolau de Cusa apresenta interessantes considerações acerca das retas, do círculo e do triângulo, aproximando-os de uma compreensão da Trindade e de Deus (ressaltando, sempre, o caráter apofático da divindade). A obra encontra-se dividida em três partes: na primeira, trata de Deus - e é onde essa intersecção com a geometria se faz presente de uma maneira mais intensa. Além disso, trata do máximo e do mínimo, que igualmente podem ser utilizados para entender, um pouco que seja, esse caráter que ultrapassa uma compreensão finita, característico da divindade. Na segunda parte, volta-se ao universo, em sua unidade e diversidade. Por último, trata de Jesus em sua natureza de homem/Deus, que traz consigo a infinitude divina e o caráter finito do homem. Apresenta ainda considerações sobre a concepção virginal de Maria (que assim permaneceu após dar a luz), a ressurreição e a Igreja. O próprio estilo do autor é árido e dificulta a leitura. Em alguns momentos é que o leitor se depara com algumas passagens mais agradáveis.

