O autor iniciou esta obra aos 16 anos de idade, à flor da juventude rebelde, traçando em fascículos, sob métrica parnasiana, cânticos de dores e de amores, com realidade e imaginação, que fazem o espírito do poeta vagar entre o céu e a terra, com a verdade sublimada, no equilíbrio da linha do horizonte, onde o azul celeste se confunde com o azul do mar. Os versos vão seguindo, pela vida atribulada do poeta, que faz críticas à realidade, que enternece no amor e sente as injustiças do mundo, mostrando que a vida deve ser vivida pelos seus momentos alegres ou em sonhos, que afastem os pesadelos da existência. A obra é marcada pela exaltação à natureza, pelos temores da vida e da morte, que levam o poeta à morada do amor e dos sonhados ideais de perfeição. A métrica e a rima caem nos versos, naturalmente, com a música que talhou em seu espírito o sentimento dos compassos e dos ritmos, que são parte de sua vida. Cada sentido, cada atropelo, mostra do cinzel o zelo, o desejo férreo de contar, com a dureza das palavras, a leveza e o estímulo do belo e do irreal. Em certo momento da vida do poeta, com influência do modernismo, tenta ele sair das métricas e das rimas, mas no fundo, mesmo nessa liberdade, sente-se ele preso a seus pendores naturais, em que os sons melhor se amoldam nas medidas que vestem o sentimento, que faz vibrar o estro e cantar a lira. O moderno não faz bem ao autor, que voltou ao parnasianismo, sem romper, definitivamente, com o elemento romântico. No final desta obra, que apresenta versos do período de 12/06/1953 até 17/11/1973, está o poeta com mais de 26 anos, tendo continuado a criação de seus versos, que, em futuro, não sabe quando, poderão vir a lume. Neste trabalho, portanto, 10 anos de existência desenrolam-se, em gritos e lamentos, de amor e de felicidade, que levaram adiante louvores e protestos, nos encontros e nos desencontros dos caminhos, nas retas alucinantes de velocidade, nas curvas relutantes de tangentes e nas encruzilhadas das incertezas. Tantas foram as horas sonhadas que parece que foram vividas ao lado da própria realidade das trilhas e dos problemas existenciais. Às vezes, o som duro da bigorna malhada desvanece-se em amor e paz, que leva à tranquilidade do pairar nas nuvens calmas de um celestial abrigo. Viver os sonhos é o que recomenda o poeta, pois neles se encontra a luz do absoluto e do eterno, que resvala na relatividade deste mundo
Travessia - Poesia
Álvaro Villaça Azevedo
Ateniense
1996
375 páginas
12h 30m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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