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    Instituição oratória (Coleção Fausto Castilho Multilíngues de Filosofia Unicamp) - Tomo III

    Marcus Fabius Quintilianus

    Unicamp
    2016
    632 páginas
    21h 4m
    ISBN-13: 9788526813304
    Português Brasileiro
    4
    1 avaliação
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    Quintiliano alinha-se com Catão e Cícero na arte oratória, que cultivou na prática e na teoria, exposta nesta Institutio. Para ele, o orador deve dispor da gravitas Romana, qualidade que inclui os conhecimentos básicos e outros específicos, além de uma postura moral irrepreensível. Ao contrário de Cícero, que coloca o ideal na sabedoria do filósofo, Quintiliano busca seu ideal no vir bonus dicendi peritus, elevando a retórica à arte de todas as artes. Traça o roteiro desse ideal minuciosamente, após a leitura e a análise de todos quantos, latinos e gregos, houvessem tratado da retórica; menciona inclusive obras que não chegaram até nós. Muitos aspectos de sua doutrina, tanto retóricos como pedagógicos, são válidos ainda hoje, uma vez que se baseiam nas condições perenes da natureza humana. Com este volume (composto pelos livros 7, 8 e 9), a Editora da Unicamp dá continuidade à publicação completa dos 12 livros da Institutio Oratoria, que serão publicados em 4 tomos. (Bruno Fregni Bassetto)

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    Bruno Godinho04/12/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Nessa obra monumental do primeiro século de nossa era, Quintiliano delineia os princípios daquilo que acreditava ser (e, em grande parte, era de fato) o essencial da formação de um orador romano. Dividida em doze livros, apresentados nessa edição em quatro tomos, a <i>Instituição oratória</i> apresenta algumas inovações de doutrinas retóricas, mas majoritariamente um compilado das melhores características, orientações, práticas, etc., pertinentes à retórica e à produção de discursos públicos que circulavam em Roma à época de Quintiliano. Um ciceroniano de mão cheia, Quintiliano ainda assim apresenta muitas outras autoridades ao longo da obra. Fundamentalmente, o argumento da <i>Instituição oratória</i> é que a retórica deve ser estudada desde cedo. Seu estudo é benéfico aos jovens por diversos motivos, entre os quais o contato com as tradições culturais dos gregos e dos romanos. São justamente essas, na verdade, que formam o cerne das doutrinas retóricas apresentadas e defendidas pelo retor. São apresentadas as partes clássicas da retórica, algumas teorias fundamentais da produção discursiva, elementos da ornamentação do discurso, etc. Partes típicas de tratados retóricos. A <i>Instituição oratória</i> é um grande documento da cultura letrada romana e, em particular, dá acesso a pequenos lampejos da vida individual de Quintiliano, como quando revela a morte de seu filho. Esse fato o consterna significativamente, mas não o suficiente para que abandone a empreitada do texto; pelo contrário, é preciso terminar o trabalho para honrar sua memória. O texto não é especialmente denso, mas é particularmente técnico. Ainda que seja dedicado aos iniciantes, o tratado não é convidativo. Seu caráter é meticuloso, o que o torna cansativo. É uma leitura que exige, de saída, uma releitura ao fim da primeira jornada. Não pela dificuldade do texto, mas pelo caráter enciclopédico. O excesso de doutrinas expostas faz com que seja necessário, para aprendê-las, lê-las e relê-las no texto de Quintiliano e, mais ainda, identificá-las sendo postas em prática em textos de outros retores. Esse último ponto é precisamente um dos principais elementos do ensino de retórica. Não bastava que o estudante tivesse em mãos uma verdadeira enciclopédia retórica como <i>Instituição oratória</i>, mas sim que soubesse analisar retores, poetas, gramáticos, escritores vários enfim, para identificar os dispositivos discursivos empregados. Essa capacidade analítica dava ao retor o poder não só de desmontar os argumentos de um adversário, mas de produzir uma avaliação que, hoje, chamaríamos "estética", isto é, emitir um juízo sobre aquilo que está bem ou mal feito. A tradução de Bruno Fregni Bassetto parece excelente e dá ao texto em português o rigor técnico típico dos tratados de retórica sem, contudo, torná-lo demasiadamente empolado ou arcaizante. O fato de a edição ter notas explicativas ao fim é sinal de um trabalho muito meticuloso por parte do tradutor, que também assina as notas, além de demonstrar uma preocupação com o leitor que não está ambientado ao mundo antigo e às referências feitas ao contexto de produção e circulação do tratado. É uma grande adição aos estudos de práticas letradas, uma área que tem seus bastiões tardios (como João Adolfo Hansen, Alcir Pécora, Andrea Daher e outras pessoas) e carece ainda de versões brasileiras dos grandes tratados antigos, medievais e modernos de retórica e gramática.

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    Marco Fábio Quintiliano

    Marco Fábio Quintiliano (em latim: Marcus Fabius Quintilianus; 35 - 95) foi um orador e professor de retórica romano. Nascido em Calagurris (Calahorra, atual Espanha), em 35[1], Quintiliano estudou em Roma, onde primeiro exerceu a atividade de advogado. Tornou-se conhecido por ter sido professor de retórica e teve como alunos várias personalidades romanas, dentre as quais o orador romano Plínio, o Jovem. Além de dedicar-se às atividades de advogado e professor, Quintiliano registrou suas ideias sobre retórica e oratória em alguns escritos, dos quais o mais famoso é a Institutos de Oratória (Institutio Oratoria).

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    Província romana da Hispânia, Império Romano

    Marco Fábio Quintiliano