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    Especial de Quadrinhos Nº 2 - Sertão & Pampas - Essa terra tem dono

    Flávio Colin

    Grafipar
    1980
    36 páginas
    1h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3
    1 avaliação
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    Nesta edição os autores vão buscar as raízes de nossa aventura no pampa gaúcho. Sepé Tiarajú é nosso primeiro marco de resistência cultural e econômica. Uma espécie de guerrilheiro indígena que teve como campo de batalha os interesses econômicos de Espanha e Portugal, e como arma a cultura indígena, alimentada pela grande fonte de informações jesuíticas. Nesse cenário que o grande guerrilheiro desenvolve suas atividades transcendendo-as até nosso tempo através das histórias do velho pagé para o indiozinho desaculturado. Ambos vivem uma realidade nossa. São favelados nas ruínas da antes pomposa São Miguel dos Sete Povos. Assim, entre presente degradante e passado historicamente rico, as contradições afloram na ficção pura de Luiz Rettamozo e Flavio Colin.

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    R .01/12/2016Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A Grafipar teve publicações muito interessantes no início dos anos 80 para quem curte HQs nacionais. "Sertão & Pampas" foi uma delas, trabalhando o cenário das missões jesuítas no sul em história ilustrada por Flávio Colin (ponto positivo para qualquer quadrinho de apelo folclórico). Vemos a figura de Sepé Tiajaru, um valoroso e real guerreiro indígena, que liderou seu povo na luta contra as imposições do colonizador. Em linhas gerais a HQ se desenrola com um velho índio contando para seu neto o brio e luta de seus antepassados, onde Sepé é celebrado como grande líder e símbolo de resistência. A narrativa está em paralelo à marginalização de seu povo no presente, marcada por perda da cultura, exploração e pobreza. O menino fica sabendo do antigo guerreiro e tem nisso uma inspiração para sua vida. Gostei da história por não abrir espaço para exageros. Sepé é mostrado em suas motivações e limitações, há a referência à degradação manipuladora do clero romano e o índio atual é retratado como a sociedade o relegou. Legal, principalmente pela descoberta de uma figura de valor na história que nunca tinha ouvido falar.

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    Flávio Colin profile picture

    Flávio Colin

    Desenhista carioca, criado no sul do país, Flavio Barbosa Mavignier Colin iniciou sua carreira de quadrinhista ainda bem jovem, nos anos 50. De acordo com uma entrevista que deu nos anos 80, sua primeira HQ profissional saiu na revista “Enciclopédia em Quadrinhos”, da RGE, em 1956. Seguiram-se X-9, Águia Negra, Dom Quixote, Cavaleiro Negro e outros. O fato de trabalhar em títulos originariamente estrangeiros, serviu para consolidar seu estilo arrojado e diferente, além de lhe conferir um senso profissional, ainda hoje sem paralelos no mercado de comics tupiniquim. Ficou bem conhecido ao transportar para as páginas impressas, o herói radiofônico O Anjo, além da quadrinização de Os Brutos também Amam. Nos anos 60, marcaria definitivamente sua carreira, ao trabalhar no gibi do grande sucesso da TV brasileira: O Vigilante Rodoviário. Colin também atuou na área publicitária e colaborou para a (hoje) histórica revista O Cruzeiro; além de fazer parte de inúmeras tentativas de se nacionalizar a produção de quadrinhos, no Brasil. Para os estúdios de Maurício de Souza e o grupo Folha, produziu Vizunga, um dos primeiros personagens de quadrinhos realmente com background ecológico. Homem de fortes convicções, Colin sempre rendeu ótimas e esclarecedoras entrevistas... tão boas quanto suas histórias. Entre os anos 70 e 80, produziu ininterruptamente, colaborando para as publicações das editoras Grafipar e D-Arte, entre outras. Prolífico até o fim de sua vida, Colin ficou conhecido pela nova geração de leitores brasileiros, ao estrelar publicações especiais como: O Boi das Aspas de Ouro, Estórias Gerais e Fawcett. Colin faleceu em 13 de agosto de 2002, devido a complicações respiratórias. Tem em artistas como Watson Portela verdadeiros admiradores. “O Colin eu gostava por causa do estilo ímpar. Se existiu um desenhista realmente brasileiro, foi o Colin”, lembrou Watson em uma entrevista.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Flávio Colin