Meu entendimento a respeito da perseverança dos santos é, que as pessoas que foram enxertadas em Cristo pela fé verdadeira, e foram, dessa forma, feitas participantes de seu Espírito vivificante, possuem poderes [ou força] suficientes para lutar contra Satanás, o pecado, o mundo e sua própria carne, e obter a vitória sobre estes inimigos - todavia não sem a assistência da graça e o mesmo Espírito Santo. Jesus Cristo também, pelo seu Espírito, as assiste em todas as suas tentações, e lhes proporciona a pronta ajuda de sua mão; e, visto que elas se encontram preparadas para a batalha, imploram sua ajuda, e se não estiverem em falta com elas mesmas, Cristo as preserva de cair. Então não é possível que sejam, por quaisquer das astutas ciladas ou poder de Satanás, seduzidas ou arrancadas das mãos de Cristo. Mas eu julgo ser útil e será um tanto necessário em nossa primeira assembléia [ou Sínodo], estabelecer uma diligente pesquisa nas Escrituras, se não é possível que alguns indivíduos, pela negligência ao abandonar o começo de sua existência em Cristo, apegar-se novamente ao presente mundo mau, desviar da sã doutrina que lhes foi uma vez entregue, perder uma boa consciência, e fazer com que a graça divina seja ineficaz. Embora eu aqui, aberta e sinceramente, afirmo que eu nunca ensinei que um verdadeiro crente pode, total ou finalmente, abandonar a fé, e perecer, todavia não nego que haja passagens da Escritura que me parecem apresentar este aspecto, e as respostas a elas que tive a oportunidade de ver não se mostraram, em minha opinião, convincentes em todos os pontos. Por outro lado, certas passagens são fornecidas para a doutrina contrária [da perseverança incondicional] que merecem especial consideração. Jacó Arminio
Perseverança dos Santos (Coleção Arminianismo #6) -
KEITH STANGLIN
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O livro Perseverança dos Santos é uma expansão de algumas palestras proferidas por Keith Stanglin, considerado um especialista na obra de Jacó Armínio, em algumas cidades no Brasil no ano de 2016. A tradução coube a Wellington Mariano, também um grande estudioso do assunto e autor do livro O que Teologia Arminiana? Os arminianos em geral não são unânimes no que diz respeito à doutrina da perseverança dos Santos. É quase consenso que Jacó Armínio não se posicionou a respeito do assunto, deixando a cargo das gerações futuras a tarefa de aprofundarem o estudo do tema. No entanto, alguns estudiosos afirmam que Armínio nunca defendeu a possibilidade da apostasia. Já Keith Stanglin, defende nesta obra que Armínio via a apostasia como algo possível de ocorrer. A obra tem 65 páginas dividas em quatro capítulos. No primeiro capítulo, Apostasia e certeza: uma preocupação cristã, são mostrados alguns motivos pelos quais é importante se discutir a visão de Armínio a respeito do assunto. No segundo capítulo, Armínio sobre a perseverança, Stanglin defende a tese de que Armínio acreditava na possibilidade real da apostasia, e que um erro de tradução dos textos originais de Armínio para o inglês seria o responsável pelo entendimento errôneo dos eruditos modernos a respeito do que pensava Jacó Armínio sobre o assunto. No terceiro capítulo, Certeza, são abordados dois problemas pastorais que influenciaram os escritos de Armínio a respeito do tema. O primeiro problema foi a falta de certeza da salvação por parte de alguns fiéis da sua congregação. Essa falta de certeza acabou levando alguns para o que Armínio chamava de “desespero” ou “ausência de esperança”. O segundo problema, seria o oposto do primeiro. Armínio testemunhou, na sua experiência pastoral, que alguns cristãos, presumivelmente embasados em Romanos 7, entendiam que nada do que eles fizessem ou deixassem de fazer interferiria na salvação. Tal atitude frustrou Armínio no seu tempo como pastor. Armínio chamou esse estado de “ausência de cuidado”. A partir dessas situações práticas do dia-a-dia do seu ministério pastoral, Armínio concluiu que a doutrina calvinista não oferecia respostas contundentes para solucionar esses problemas, e que somente uma doutrina que levasse em consideração o desejo de Deus em salvar a todos (Expiação Ilimitada) e a possibilidade de se resistir à graça salvadora (Graça resistível) seria capaz de evitar esses extremos. Por fim, nas Reflexões Prático-Teológicas, são feitas algumas reflexões a respeito do papel da justificação e da santificação no processo da salvação. Assim também, como o sistema calvinista e arminiano lidam com a doutrina da certeza da salvação, e como o sistema arminiano tem a melhor resposta para encontrar um meio termo entre o “desespero” e a “ausência de cuidado”. A presente obra é uma excelente explanação do quinto ponto do Arminianismo. O profundo conhecimento da obra de Armínio, por parte do autor, confere a obra uma profundidade teológica ímpar. O único senão é o autor, em diversas passagens do livro, confundir “sistema calvinista” e “sistema reformado”. Ao fazer isso, inconscientemente, reforça o mito de que só é reformado quem é monergista. O mesmo desconsidera o fato de que a igreja reformada, até o Sínodo de Dort, convivia muito bem com as tradições monergista e sinergista. Isso, no entanto, não invalida a relevância da obra. Livro mais do que indicado.
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