Mocidade Morta -

    Gonzaga Duque

    Casa de Rui Barbosa
    1995
    294 páginas
    9h 48m
    ISBN-13: 2000002227778
    Português Brasileiro

    Notas e estudos de Adriano da Gama Kury e Alexandre Eulálio.

    Edições (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Maria Carolina picture
    Maria Carolina24/11/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    A melancolia que brilha: minhas impressões de Mocidade Morta

    Li Mocidade Morta sem saber exatamente o que esperar… e talvez esse seja o melhor jeito de entrar nesse livro, porque Gonzaga Duque não está interessado em entregar uma trama tradicional, mas sim um retrato cru, denso e deliciosamente melancólico da juventude intelectual brasileira do fim do século XIX. A edição da Editora Três, com aquele charme de “tesouro reencontrado”, só torna o mergulho ainda mais especial. E olha… que livro curioso, cheio de ângulos, cheio de sombras, cheio de momentos que parecem confidências sussurradas entre boêmios talentosos que nunca se encaixaram em lugar nenhum. A história gira em torno de um grupo de jovens artistas e intelectuais que acreditam profundamente na arte, na beleza, no talento, na missão quase sagrada de renovar o mundo… mas que se veem esmagados pelas expectativas sociais, pela falta de recursos, pela mediocridade das instituições e, principalmente, por uma espécie de desalento existencial que os acompanha como uma sombra persistente. É um livro sobre sonhos, mas não sonhos triunfantes… sonhos que se evaporam, que se desgastam… que se tornam trapos. E é aqui que Gonzaga Duque brilha: ele consegue capturar com delicadeza esse momento da vida em que a esperança ainda existe, mas já anda mancando. O romance tem uma vibe que me lembrou um pouco Thomas Hardy, com aquele pessimismo doce, lúcido, que quase acaricia o leitor enquanto esmaga os personagens… e também uma pitada de Wilde, não pelo humor, mas pela crítica elegante à sociedade, à hipocrisia e à eterna briga entre o artista e o mundo burguês. É delicioso ver como Mocidade Morta coloca o Brasil dentro de debates que, sinceramente, eu achava exclusivos da Europa. E é aí que a leitura surpreende: estamos vendo um outro Brasil, um Brasil que pensava, que discutia estética, que sofria artisticamente… quase um “submundo intelectual” bem antes da Semana de 22. Os personagens, ah… os personagens. Cada um tem seu brilho triste, mas o meu preferido, e o que eu realmente amei, foi Nilo. Ele é sensível, intenso, cheio de contradições, cheio de ideais… aquele tipo de jovem que ama a arte como quem ama a vida, mas que paga caro por essa devoção. Há algo muito humano nele… aquele jovem que você olha e pensa “se tivesse nascido em outra época, talvez tivesse sido imenso”. O trágico aqui não é um grande acontecimento, mas a erosão lenta das esperanças. E isso, justamente isso, me pegou profundamente. A leitura é curtinha, e isso torna o impacto ainda maior. Mocidade Morta não é um romance para “engolir” rapidamente… ele tem um ritmo contemplativo, quase musical, cheio de pausas e silêncios. Por vezes, parece que estamos lendo um diário coletivo… aquelas conversas noturnas, aquele entusiasmo que tenta sobreviver, aquela leve decadência espiritual… tudo combina num fresco belíssimo e doloroso sobre o que significa ser jovem e artista em um país que nunca soube direito o que fazer com seus artistas. A classificação indicativa que eu daria é 14 anos… não por violência ou conteúdo impróprio, mas pela densidade do tema, pelo fundo filosófico e pela necessidade de algum repertório emocional para sentir a grandiosidade sutil das angústias desses personagens. É um livro de melancolia fina… de amadurecimento… de idealismo gasto… e isso exige sensibilidade. Foi fantástico ler Mocidade Morta dentro dessa maratona de clássicos brasileiros… parecia que eu estava abrindo uma porta para um Brasil que eu não conhecia, um Brasil pensante, inquieto, moderno antes da modernidade. E, sinceramente… que surpresa deliciosa. Um livro curto, mas que ficou ressoando em mim como uma longa noite de conversa ao piano… daquelas que a gente não esquece... Que coisa bonita, que coisa triste, que coisa inesquecível.

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 10
    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas20%
    • 1 estrelas0%