Este é daqueles romances que te conquistam logo de cara. Um anão de língua afiada começa a contar sua história e a descrever o reino no qual vive. Num relato amargo e sarcástico, o anão vai falando sobre o príncipe, a princesa, a corte e demais parcelas da sociedade. Ser amargo, amante da guerra e da maldade, o anão ri dos homens. debocha da forma de seu corpo, dos seus hábitos vulgares e imundos, ri de sua arte. Em suma, vê a raça humana como inferior aos anões. O livro é contado através das anotações do anão. Como um diário, o leitor acompanha o desenrolar dos eventos na corte, especialmente dentro dos aposentos do príncipe, a quem o pequeno serve. Ora o anão elogia seu amo, ora o critica, e julga-o abjeto. O anão está, assim, expressando a contradição da humanidade do príncipe ou apenas se mostrando um ser contraditório? Ao dar à palavra a um anão, par lagerkvist apresenta um observador exterior à raça humana (pelo menos, assim ele se julga), alguém livre do peso de ser humano.


