O longo poema que dá título ao volume, é provavelmente uma das peças mais complexas da poesia do século 20. Meditação metafísica sobre a morte, o bem, o mal, os limites da consciência e a torrente vital que ela encerra, colhida na metáfora singela de um copo e o que ele retém. O poema "Morte sem Fim" é um vôo da inteligência que se desencarna e prova os limites da linguagem diante de uma experiência-limite de compreensão do cosmos. Não obstante, já foi comparado a um outro poema também escrito em forma de silva, o "Primero Sueño", da também mexicana Sóror Juana Inés de la Cruz (1651-1695), um dos pontos mais altos da poesia em castelhano. José Gorostiza (1901-1973), poeta de exígua produção, converteu-se, hoje, no autor central da mais importante geração literária da primeira metade do século XIX no México, a de “Contemporáneos”. Esta se afirma no cenário da literatura mexicana através da atividade de vários poetas afinados entre si, ao longo da década de 1920, o que resultou na publicação da revista homônima, que durou de 1928 a 1931. A presente tradução inclui quase todos os poemas publicados em vida do autor. Entre eles, Morte sem Fim, que dá nome à coletânea, é o que singulariza Gorostiza no contexto da poesia mexicana e hispano-americana como um dos nomes mais intrigantes e significativos de sua geração, configurando-se, portanto, como um poema-chave da tradição mexicana moderna. Além dele, podem ser encontrados também obras como Canções para Cantar nos Barcos, seu primeiro livro, publicado em 1925, no qual já se vislumbram os primeiros reflexos do que viria a caracterizar toda a sua produção poética: lucidez, independência, inteligência crítica, entre outros aspectos.
