Sem Medo - Crescer Numa Sociedade com Aversão ao Risco

    Tim Gill

    Principia
    2010
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9789898131683
    Português Brasileiro

    O Sem medo vem incluir-se no debate cada vez mais vigoroso acerca do papel e da natureza da infância no Reino Unido. Ao longo dos últimos trinta anos, atividades que gerações anteriores de crianças desfrutavam sem pensar duas vezes foram rotuladas de perturbantes ou perigosas, e os adultos que as permitem são apontados como irresponsáveis. Sem medo argumenta que a infância está ser minada pelo crescimento da aversão ao risco e pela sua intrusão em todos os aspectos das vidas das crianças. Isto restringe as brincadeiras das crianças, limita-lhes a liberdade de movimentos, corrói as suas relações com os adultos e limita a sua exploração dos mundos físico, social e virtual.

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    Mônica10/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Assunto urgente e necessário para quem convive com criança

    Neste livro, Tim Gill examina como a sociedade contemporânea se tornou excessivamente preocupada com a segurança das crianças, levando a uma falta de oportunidades para que elas assumam riscos saudáveis e aprendam com suas experiências. “Durante os últimos 30 anos, pelo menos, a fase da infância anterior à adolescência tem vindo a ser marcada por uma redução da liberdade de ações das crianças, e por um crescimento do controle e supervisão dos adultos” Gill apresenta um importante estudo que mostra como os parques infantis têm passado por regulamentações austeras quanto aos materiais usados (pisos emborrachados), regras de manutenção, proibição de tipos de brinquedos, mas que mesmo com tudo isso não há mudança na quantidade de acidentes. Argumenta que pelo contrário, se deparar com pisos disformes, escorregadiços, alturas elevadas, ajudam as crianças a conhecer seus limites corporais e aprender a se mover com mais autonomia, prevendo e calculando os riscos. A srquiteta paisagista dinamarquesa Helle Nebelong que projetou premiados parques infantis inspirados em ambientes naturais relata: “Quando a distância entre todos os degraus de uma escada ou de uma rede para trepar é exatamente a mesma, a criança não tem de se concentrar para saber onde vai pôr os pés. A padronização é perigosa, porque o brincar se torna demasiado simplificado e a criança não tem de se preocupar com os seus movimentos. Essa aprendizagem não poderá ser depois transposta para todas as formas assimétricas e irregulares com que nos confrontamos ao longo da vida” E a escola nisso tudo? “Se os educadores acreditam que a sua principal prioridade é devolver as crianças aos pais sem um arranhão, haverá inevitavelmente pouco incentivo para se permitir que as crianças experimentem, explorem ou deem um passo para fora de suas zonas de conforto." O assombro de situações fatais e risco de acontecer algo mais grave paralisa os adultos e impedem que as crianças vivenciem experiências ricas de risco controlado. A mídia também tem papel nisso: “Para se vender jornais, as notícias têm de comover, e muitas vezes isso implica em suscitar o medo” - jornalista BBC Andrew Marr - no livro My Trade O livro apresenta muitos dados de pesquisas que mostram o quanto nosso medo ao que aconteça algo grave é desproporcional e tem impedido boas e fundamentais experiências na vida das crianças. Recomendo leitura!

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