Num ensaio inusitado, o antropólogo Marlon Marcos Vieira Passos, amparado pelos recursos teóricos de várias disciplinas humanas, interpreta com acuidade e sem afetação a relação mítica entre Maria Bethânia e seu orixá regente, Oyá. Escrito em linguagem acessível e ao mesmo tempo atraente, esse livro é um bom exemplo de como temas ligados à indústria cultural podem ser tratados sem boçalidade pela chamada Academia. E como na Bahia, razão e fé não se excluem quando o que está em pauta é o entendimento de questões culturais de grande significado local. Fãs e fiéis vão entender melhor a razão de suas devoções a Iansã Viva que no mundo do espetáculo levou o barracão do candomblé para o centro do palco. E o leitor encontrará aqui um ensaio inteligente sobre cultura baiana.