Não existem fórmulas pré-estabelecidas e certeiras que permitam ao conjunto da esquerda, no Brasil e no mundo, encontrarem alternativas ao retrocesso que vem a galope, seja por meio de vias eleitorais ou pelos chamados “suaves golpes” em democracias constituídas. Tempos estranhos e incomuns vivemos, é sabido. Em uma pós-democracia, termo que vem sendo utilizado pelo jurista Rubens Casara, a fragilidade do Estado de direito, expressa por meio de ações arbitrárias do Judiciário e forças policiais, as manifestações de intolerância e ódio infundados são mais frequentes, inclusive explorados pela grande mídia conservadora. Após treze anos de governos petistas no Executivo, análises diversas discorrem sobre erros e acertos, e com elas, muitas dúvidas. Em reportagem, este especial de Caros Amigos traz um resgate histórico da trajetória do Partido dos Trabalhadores, fundado em 10 de fevereiro de 1980 — como algo novo e que rompia com os preceitos pós-1917 — e a crise enfrentada por ele, agora, pós-golpe e em um momento de descrédito das instituições políticas e formas de organização tradicionais da esquerda. No mundo, com a vitória de Donald Trump nos EUA, uma possível eleição de Marine Le Pen, na França e uma guinada à direita em outros países da Europa, o clima não é muito diferente. Uma onda conservadora avança com traços fascistas, que colocam em xeque direitos e liberdades. O entrevistado desta edição, o historiador Lincoln Secco, vê traços de neofascismo nesta conjuntura, com a mimetização de discursos e técnicas tradicionalmente da esquerda e que conseguem confundir o pensamento da população, especialmente da classe média, que segundo ele, não foi “educada para conviver civilizadamente com as outras pessoas”. Como ele mesmo lembra, o partido de Hitler se apropriou da palavra socialismo. Um balanço dos governos progressistas da América do Sul e seus últimos desdobramentos são tratados em artigo, além de outras reportagens que abordam o comportamento da população da periferia nas eleições municipais; as novas forças que surgem nos chamados novíssimos movimentos; análise do projeto do PT; e possíveis saídas. Até lá, resistimos. Boa leitura!
