Pantaleão e as visitadoras -

    Mario Vargas Llosa

    Companhia das Letras
    1996
    269 páginas
    8h 58m
    ISBN-10: 857164506X
    Português Brasileiro

    Nas guarnições militares da Amazônia peruana, o calor sufocante e a escassez de mulheres transformam os soldados em irrefreáveis estupradores. Para impedir a desmoralização das forças armadas, o comando do exército decide criar um "serviço de visitadoras" que atenda aos anseios mais prementes de seus homens. Encarregado da missão, o disciplinado capitão Pantoja se vê às voltas com um emaranhado de problemas éticos, políticos, religiosos e burocráticos ainda mais intricado que a própria selva. A partir desse argumento burlesco, Mario Vargas Llosa constrói uma sátira demolidora do atraso cultural e moral do continente latino-americano. Romance multifacetado e envolvente, em que convivem a inventividade narrativa e um humor irresistível, Pantaleón e as visitadoras demonstra toda a competência literária de um dos grandes ficcionistas de nossa época.

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    Alexandre Figueiredo18/08/2022Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    As prostitutas, os militares e o ficcionista

    Publicado em 1973, “Pantaleão e as visitadoras” é, essencialmente, um romance sátira. Quarto romance escrito pelo último ganhador sul-americano do Nobel de Literatura, este é um livro sobre variados assuntos e suas múltiplas formas de contá-los. Vargas Llosa, como todos deveriam saber, dispensa apresentações. Dono de obras singulares e incontornáveis dentro do imaginário latino-americano como “Conversa no Catedral” (1969) e “A festa do Bode” (2000), este escritor peruano nunca deixa de surpreender. Ao acompanhar a história do disciplinado e burocrático Pantaleão Pantoja, temos acesso a uma espécie de espelho social de um microcosmo amazônico diante de nós. Mas, para que esse espelho não se quebre, Vargas Llosa faz exigências de seus leitores, o que nem sempre pode dar bons resultados. Toda a leitura, como sabemos, exige um pacto entre quem escreve e quem vai ler. E esse é um ponto demasiado importante para que “Pantaleão e as visitadoras” funcione. Vargas Llosa nunca foi e jamais será um escritor que subestima seus leitores. É por isso que, para contar suas histórias, ele renega, muitas vezes, a simplicidade - mas jamais abre mão da clareza, característica inegociável para o autor. Este romance, por exemplo, é contado explorando as mais variadas formas de linguagem: cartas, resoluções, informes, memorandos, um roteiro de rádio e recortes de jornal. E a opção por essa escolha variada do ato de contar enriquece o pacto firmado entre o autor e seus leitores. Afinal, por que leríamos livros se não pudéssemos explorar a imaginação em níveis variados? E é assim, dessa maneira, que as peripécias de nosso caricato militar, o capitão Pantaleão Pantoja, são contadas. Panta, como é chamado pelas visitadoras - digo, prostitutas - vive com a mãe e a esposa antes de se mudar para Iquitos, cidade onde sua vida jamais será a mesma. É neste local que vai exercer a função sigilosa, designada e aprovada por seus superiores, de conter o apetite sexual incontrolável dos milicos isolados na selva amazônica, que, nas páginas iniciais, estão sendo acusados de cometer estupros na, até então, pacata e religiosa cidade peruana. Interessante notar que, ao mostrar esse machismo e a misoginia vigente dentro das casernas, Vargas Llosa faz uma de suas críticas mais bem direcionadas aos militares, que vão pipocar aqui e ali e em diferentes situações em quase todos os seus livros. Posicionado em Iquitos, Vargas Llosa vai nos contar a odisseia da degradação moral de nossa personagem principal. Vai discutir os limites entre o privado e o público, as consequências do fanatismo religioso, os jogos de poder entre militares, os dilemas éticos do sexo, o sensacionalismo midiático e, de certa maneira, a objetificação das mulheres neste canto do globo. Há, como um bom romance deve ter, muita história a ser contada, além de acontecimentos chaves que movimentam constantemente a narrativa, sempre deixando os leitores atentos para o que deve ocorrer em seguida. Em suas páginas iniciais, "Pantaleão e as visitadoras” dá as boas-vindas aos leitores. Utilizando a técnica marcante de diálogos cruzados no espaço-tempo entre as personagens, o famoso estilo ziguezagueante que marcará o portentoso “Conversa no Catedral”, Vargas Llosa propõe que sua narrativa será uma experiência única e que cabe somente ao leitor entrar no peculiar modo de narrar do peruano.

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