"Chiclete pra Guardar pra Depois” (Editora Areia, 117 pág., 2016) reúne 37 crônicas nas quais a autora reflete sobre amadurecimento e sobre o mundo contemporâneo. Em tom quase de confissão, é como se Andreia abrisse seu diário para o leitor e dialogasse com ele sobre as agruras de crescer – principalmente para as meninas." (Jornal A Notícia, 08/08/16)
Chiclete pra guardar pra depois -
Andreia Evaristo
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Embora o título chamativo e singular do livro tenha enormemente me chamado a atenção e despertado minha curiosidade, não pesquisei mais a fundo sobre a obra antes de lê-la – medo de spoiler on! – e preferi deixar que a parceira Andreia Evaristo, através de Chiclete pra Guardar pra Depois, surpreendesse-me. E foi o que aconteceu com sucesso (missão dada, missão cumprida)! A começar pelo gênero textual: crônica. O livro traz um acervo de 37 crônicas que retratam dramas da fase adulta, nostalgias da infância e adolescência e reflexões sobre a vida e o amadurecimento da autora, por meio de um eu-lírico com voz de adolescente liberta, mas com sabedoria de adulto – essas coisas que só se aprendem com o passar do tempo, mesmo que quando jovem a gente sempre ache que já sabe de tudo. Os textos são permeados por um “quê” de desabafo e aceitação, como que expondo os personagens, a autora e principalmente a nós mesmos, os leitores. É difícil não se identificar, não se ver incrustado nas entrelinhas das crônicas que a Andreia sabiamente preparou para saborear o seu ouvinte. Apesar de curtinho, a grandeza deste livro é imensa! São 118 páginas que falam sobre tudo e ao mesmo tempo nada (o slogan do Blog, por sinal! Hahaha). O bom-humor é característica marcante da obra que, mesmo abordando muitos assuntos da atualidade, pode ser facilmente lida e interpretada por todas as idades. "[…] no fundo não me sinto com 26 anos de idade. Sei lá, a minha mãe, aos 26, tinha uma casa, um fusca, três filhos e um marido. Eu nem tenho ainda uma bicicleta.” – Pág. 19 Por algum motivo, durante a leitura, Chiclete pra Guardar pra Depois me fez lembrar-se do livro “Felicidade Clandestina”, da rainha Clarice Lispector! Talvez por igualmente apresentar a felicidade e a sabedoria que moram nas coisas simples, pequenas, essas que normalmente passam despercebidas aos nossos olhos desatentos. “Uma menina, de seus seis, sete anos de idade, volta da escola sozinha. A chuva não é capaz de atrapalhar-lhe os planos de ser feliz com sua sobrinha de arco-íris iluminando o dia. Nos pés a galocha vermelha que percorre uma a uma todas as poças de lama que encontra pelo caminho. Quando a água respinga, ela gargalha – e o barulho da sua alegria inunda meus ouvidos.” – Pág. 111 Eu amei cada palavra, cada crônica, cada risada, cada identificação, cada arrepio (sim, eu fiquei arrepiada em alguns textos!) e cada reflexão que a leitura me proporcionou. E dentre os textos, alguns que me encantaram deveras e merecem destaque são: *Não é culpa minha; *Espelho, espelho meu, esconde a celulite que já cresceu; *A sua realidade; *Fantasmas do Natal; *Jeito para essas coisas; *Adultescência; *Tudo que há para viver; *Chiclete pra guardar pra depois; *Tó; *Um gato chamado felicidade; *A virtualidade do amor; *E ele voou; *Dia dos mortos; *Abandono; *Retrato; *Favoritices; *Viva os professores medíocres! *Nem todo aluno é medíocre, só a média! *Não era questão de escolha; *Chuva de setembro; *Meu mundo caiu; *E quando acaba, como você se sente?; Para fazer um paralelo com a última crônica (E quando acaba, como você se sente?) não me vinham palavras suficientes para expressar tudo que senti e pensei após uma leitura sucinta e, ainda assim, arrebatadora. “[…] eu sei, caro leitor, que você gostaria mesmo que a felicidade fosse um cachorro, mas infelizmente não é. Se fosse um cão, as coisas seriam muito mais fáceis – você estalaria os dedos, assobiaria chamando, e a felicidade viria correndo em sua direção, abanando o rabinho. Mas como eu já disse, a felicidade não é um cachorro.” – Pág. 47 A edição é uma fofura, a fonte é agradável para leitura, sem falar nas duas ilustrações que são um amor! Além disso, não há dúvidas de que a obra faz jus ao título; é como um chiclete que gruda e você não consegue mais largar. É um livro para ler, reler, indicar e guardar pra depois. “[…] Mas o chiclete, esse aliviador de tensões e odores, essa borrachinha saborosa e perfumada, é o amor que entregamos aos amigos. Sim, porque entregar um chiclete pode ser uma atitude boba para um adulto. Mas para um adolescente é mais que isso, é a partilha, a amizade em pedacinho, é um pouquinho de amor, sim, pra guardar pra depois.”
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