No poema nada desiste. Vamos aos fatos. Enquanto vivo, esqueço, mas é preciso que haja o nojo da vida, porque no poema não sou eu quem quero e mesmo querer é estranho chapisco onde o braço revela-se, barrancos onde o resto perdia-se, lembrando-se já tão cedo das manhãs não vividas. Não tenho que fingir que não é poema. Fotografo o maquinismo movendo homens sem esperança. Que o que leem resulte incompreensível, que o poema ninguém leia verdadeiramente, isto já seria o bastante, e poemas destarte não deveria haver entre a barriga e os pêlos, ou mesmo comendo a língua e a casca selvagem do corpo.
Onze Moedas de Chumbo -
Sérgio Nazar David
7 Letras
2001
69 páginas
2h 18m
ISBN-10: 8573882581
Português Brasileiro
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