A crônica deixando de lado questões etimológicas pode ser vista como um exercício do olhar, da atenção, do gesto, da captura. O bom cronista é um soldado de trincheira. Conhece seu campo. Se mistura com os seus. É por isso que, mesmo com João Antônio no campo jornalístico, o lêmos como se estivesse no literário. Dizem que a crônica é um gênero tensionado entre o jornalismo e a literatura, eu discordo. Afinal, não é todo cronista que provoca esse tensionamento, que coloca essa dúvida. Ela pode ser. Mas nem sempre é.
João Antônio vai à guerra. Entre os jogadores de sinuca, entre os moradores da cidade de deus, dentro de um hospício. Sabemos que ele se movimenta pela margem. Nas crônicas, seu ganha pão, mesmo que ele possa ficcionalizá-las isso não acontece apenas em seus contos , como em alguns rodeios de crônicas deste livro, é partindo de premissas verossímeis, talvez até desmontando fatos para remontá-los, que ele profusa ideias. Fatos realocados, parafraseados.
A divisão em seções, mesmo que alguma delas acompanhe apenas um texto, estabelece um tremor. Na seção sobre a vida, se fala da morte. Na seção sobre futebol, há um alargamento que lança o futebol na lama. Ou seja, são relações dialéticas, não apenas uma divisão-nomeação arbitrária.
É um terremoto, afinal, andar sobre a margem nos faz tremer, mete medo.