Tempo De Esperas - O Itinerário de um Florescer Humano

    Fabio De Melo

    Planeta
    2016
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788542208238
    Português Brasileiro

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    Alexsander Souza de Assis01/08/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Reler Tempo de Esperas foi, para mim, como visitar uma antiga casa onde morei em silêncio e descobrir que os móveis mudaram de lugar, mas a luz que entra pela janela ainda é a mesma. O livro permanece belo, profundo, incômodo em suas verdades. E, sim, antes que os puristas torçam o nariz: é do Pe. Fábio de Melo, esse mesmo que viraliza nas redes, mas que aqui se despe do personagem midiático e assume o que sempre foi, um pensador sensível, quase um Pascal com sotaque mineiro. O enredo é simples, ao menos na superfície: Alfredo, um jovem que carrega no peito toda a soberba que a juventude gosta de vestir como armadura, escreve a um escritor e professor que admira. E este, em resposta, vai desconstruindo-o com a elegância de quem não grita, mas pensa. O que se segue é um epistolário terapêutico, quase socrático, em que cada carta vai arrancando, uma a uma, as máscaras que Alfredo insiste em usar para fingir que entendeu a vida. E é justamente isso que mais me agradou: a intervenção de um terceiro na moldagem da psique. Em tempos onde o narcisismo virou política pública, encontrar um personagem que se deixa guiar por outro, e um outro que não é coach de palco, mas mestre de sabedoria, é quase subversivo. O amadurecimento de Alfredo não vem por milagre ou epifania barata, mas pelo lento trabalho da escuta. Carta por carta, ele vai abrindo mão de suas certezas baratas, como quem finalmente entende que estar certo é menos nobre do que estar inteiro. O Alfredo do início é irritante, claro. Um sujeito armado de teorias ocas, cheio de razão e vazio de compaixão, como certos acadêmicos que confundem verborragia com pensamento. Mas há beleza em vê-lo desmoronar. Porque é só quando ele se rende ao não saber, que começa a nascer nele algo próximo da sabedoria. A empáfia vai dando lugar à simplicidade, o isolamento cede espaço à empatia. E isso, meu caro, não é pouco. É conversão. Daquelas verdadeiras. Há, sim, momentos de prosa poética dignos de sublinhar com régua e oração. Trechos que não se contentam em ser belos, mas querem ser lembrados, como um bom conselho de avô. E o livro, para além do lirismo, oferece o que poucos hoje se atrevem a propor: a ideia de que o sofrimento, quando aceito e escutado, pode ser fértil. Que as dores não são interrupções da vida, mas precisamente o que a torna autêntica. Releitura mais que satisfatória. Deu-me vontade de escrever cartas, escutar melhor, silenciar mais. Nota final: 10/10. Sim, dez. Porque em um mundo onde todos gritam, um livro que nos ensina a escutar já é milagre suficiente.

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