A lei é uma consecutio necessária, ou seja, um liame entre um fato (prius) e uma conseqüência (post) a ele associado. Não há possibilidade de a conseqüência não se seguir à causa. O direito e o direito penal, em particular, diferenciam-se da natureza. Enquanto, no âmbito não jurídico, as conseqüências associadas às causas são absolutamente naturais, o direito é uma arte precisamente porque à causa, prevista na lei jurídica, propõe uma conseqüência artificial. Para Carnelutti, o próprio ato de julgar com base em normas jurídicas já é artificial. Para julgar um processo penal, seria preciso ver o todo, seria preciso conhecer a vida inteira do acusado. Como o ser humano não pode antever o futuro, e o passado se apresenta inapreensível, devido ao volume e complexidade das tramas que o compõem, todo julgamento está fadado ao insucesso. Todo julgamento é a revelação da miserável condição humana. O processo morre sem alcançar a verdade. Cria-se, então, um substitutivo para a verdade: a coisa julgada. Os fatos têm comprovado que as penas tradicionais raramente curam o condenado. A prisão é o maior exemplo. Ela pune, mortifica, degenera, faz aumentar o ócio, multiplica os ressentimentos e as revoltas. A prisão só não recupera. O direito é necessário, mas não é suficiente. Especificação da obra: - Sumário - Prefácio - A Toga - O preso - O Advogado - O juiz e as Partes - Parcialidade do Defensor - As provas - O juiz e O Imputado - O Passado e o futuro no Processo Penal - A Sentença Penal - O Cumprimento da sentença - A Liberdade - Fim Além do Direito
As Misérias do Processo Penal (Coleção de Clássicos) -
Francesco Carnelutti
Nilobook
2013
112 páginas
3h 44m
ISBN-13: 9788564832107
Português Brasileiro
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