Fixante.
Século XIX. Uma mulher depressiva e um marido médico. Todas as convenções sociais com papéis de gênero extremamente demarcados. Uma relação de domínio (como esperado) em que a figura masculina tece todo e total controle sobre sua esposa. Uma receita clara para época, não fosse pela perspicácia da desobediência da personagem de documentar seu cotidiano. Dopada de remédios e cuidados bastante duvidosos, sua atenção e frustração são voltadas para um simples papel de parede, que torna-se fundamental para acompanharmos o início e desenvolvimento de seus surtos e devaneios. É simplesmente impossível não analisa-lo sob uma perspectiva feminista, em que toda a narrativa leva a crer que a história seria muito menos macabra, não fosse a inevitável estrutura machista envolta.

