As intermitências da morte

    José Saramago

    Editora Companhia das Letras
    2005
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788580864878
    Português Brasileiro

    "Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura. Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. E foi nela que o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel da Literatura buscou o material para seu novo romance, As intermitências da morte. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.

    Resenhas (6)Ver mais
    Benaia Silva  picture
    Benaia Silva 03/07/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Aos olhos da morte somos todos da mesma maneira feios

    Reler José Saramago é sempre maravilhoso, cada vez tem alguma frase nova para ser saboreada. Um livro fácil de ler, história envolvente, possível de ler em algumas horas. “Porque morrer é, afinal de contas, o que há de mais normal e coerente na vida, facto de pura rotina, episódio interminável de herança de pais a filhos.”

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