Primavera do ano 334 A.C. Com apenas 22 anos de idade, Alexandre, O Grande, prepara-se para invadir o Império Persa de Dario III. Parece que nada pode impedir o jovem macedónio de conquistar o mundo. É então que os seus homens começam a ser brutalmente assassinados. E junto de cada corpo, o assassino deixa enigmáticas citações retiradas do livro preferido de Alexandre: a Ilíada de Homero. Um clima de medo e suspeição instala-se no seu exército, ao mesmo tempo que os Inimigos de Alexandre se reforçam com o único general que alguma vez derrotou um exército macedónio: Memnon da Grécia. Com adversários invisíveis no seu acampamento, e um terrível exército inimigo bem treinado à sua espera, conseguirá Alexandre vencer em todas as frentes e realizar o sonho de conquistar o mundo?Alexandre, a Corte da Morte é uma recriação magnífica do dia a dia no acampamento macedónio, da assombrosa cidade de Tróia, dos meandros da corte dos Reis da Pérsia, e muito mais.Num cenário real, Paul Doherty cria um enredo brilhante e bem documentado, passado na altura em que Alexandre move os seus exércitos desde Helesponto até à épica batalha de Granico. O jovem Capitão-General da Grécia perscruta a oportunidade para invadir o Império Persa liderado por Dario III. A ocasião mais propícia para abandonar o acampamento e marchar rumo à suprema glória tão almejada por Alexandre, ser-lhe-ia ditada pelos deuses através de sacrifícios reveladores e pelo seu instinto infalível e perspicácia que o elevavam sempre à condição de Grande aos olhos dos soldados e seguidores mais próximos. Paul Doherty situa-nos num contexto de guerra iminente mas apresentando-nos a perspectiva macedónia, o horizonte persa e o quadro dos povos esmagados por Alexandre unidos agora aos persas, a única civilização capaz de vergar a força intrépida do conquistador macedónio. À parte a questão maior da possibilidade de um recontro entre o poderio militar persa e a perspicácia macedónia, assistimos a um conjunto de assassinatos no seio da força macedónia sendo chamado para os desvendar Telamon, o médico amigo de Alexandre dos tempos de Mieza em que Aristóteles era seu mestre. Antes de partir para o acampamento é convocado por Olímpia, a terrível mãe de Alexandre, a “Rainha Bruxa” e regente na ausência do filho, obcecado que estava em ir até à beira do mundo. O diálogo entre ambos é de grande interesse e suficiente para apreendemos as personalidades díspares que se confrontam nos momentos em que decorre a audiência. Telamon tem medo de Olímpia, no entanto, faz-se valer da sua moral impoluta e de uma intelectualidade surpreendente (Citando com frequência os grandes autores gregos em resposta às investidas de Olímpia) para demonstrar a segurança possível face às ameaças veladas da mãe de Alexandre. Telamon é intocável. Num baú deixado por Alexandre consta uma lista dos que, na sua ausência, não deverão ser atacados. Alexandre não se esquece dos amigos de outrora. Os crimes cometidos no acampamento macedónio são relacionados com a presença de um espião ao serviço de Dario III que todos sabem existir mas cuja identidade é um mistério até para os próprios persas. Alexandre confessa a Telamon que a sua confiança nele é ilimitada deixando implícito que o séquito que o rodeia e que participa activamente nas suas inúmeras festas não é de sua inteira confiança. E Telamon experimenta a desconfiança dos mais próximos do Capitão-General, pondo em causa as suas próprias capacidades como médico. Alexandre, o Grande é um menino perdido na terra do nunca que tenta evitar ser engolido pelas forças externas que o encurralam sendo que estas forças externas partem muitas vezes de sectores próximos de si. A sua vivência é intensa e o seu carácter apesar de firme, não é completamente equilibrado, parecendo marcado, por um lado, pela necessidade de superação de um pai ambíguo, e por outro pela necessidade de equiparação ao semi-deus Aquiles que Olímpia afirma ser seu antepassado. Assim, quando visita Tróia e se apresenta como seu salvador, as armas de Aquiles parecem ser a sua única preocupação e experimentá-las o seu único objectivo. Alexandre busca o contágio, a transmissão de um poder divino que só um homem pleno, guerreiro absoluto e amigo fiel como Aquiles poderia comunicar. Encarna a sucessão em pleno. Telamon vê-se inicialmente como um refém de Olímpia, contudo, com o decorrer do tempo perto de Alexandre compreende que o ímpeto do Rei e falta de aconselhamento sério, tornam a sua presença pertinente e Olímpia, à sua maneira vil e desajustada, procurava apenas um protector atento para o filho. A forma como Paul Doherty aborda as intrigas, o modo de vida, tanto em campanha militar como nos palácios onde o poder político comanda, os rituais gregos ante as eventualidades da vida, a traição, a forma de tratamento dos escravos, demonstra conhecimentos sólidos da época em causa tornando a obra claramente recomendável.
Alexandre - A Corte da Morte -
Paul Doherty
Saída de Emergência
2005
512 páginas
17h 4m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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