Doze lições é narrado em primeira pessoa por uma professora de História da Cultura, que ministra aulas para uma turma de graduação. Os conflitos decorrentes do convívio em sala de aula, e do confrontamento com a própria matéria ensinada – temas da alta cultura ocidental, nem sempre bem-recebidos por um público que em sua maioria os ignora, ou eventualmente defende o estudo de outro tipo de tema –, sempre filtrados pelo olhar da professora, uma narradora não-confiável, são os elementos propulsores da gênese de cada um dos capítulos. As Doze Lições são essas: Capítulo 1: Longo. O tema do capítulo é o amor inocente, a partir da análise da novela helenística Dafnis e Cloé, de Longo. Capítulo 2: Boécio. Aqui a resignação diante do sofrimento e o implacável funcionamento da Roda da Fortuna são discutidos em sala de aula a partir da leitura da Consolação da Filosofia, de Boécio. Capítulo 3: Tomás de Aquino. Neste capítulo optou-se pela exploração de dois textos de Aquino, a já prevista Suma Teológica, e um estudo seu sobre Boécio, a fim de discutir principalmente o papel da fé do leitor no momento da leitura. Capítulo 4: Dante. A partir da leitura do Paraíso de A Divina Comédia, especula-se em aula sobre a natureza da relação de Dante e Beatriz, até se chegar ao tema da dificuldade moderna de apreensão das noções de belo e de bondade. Capítulo 5: Michel de Montaigne. Depois de discorrer sobre uma série de autores renascentistas que escreveram, de um modo ou outro, sobre si mesmos, a professora-narradora concentra a discussão na ideia de autoanálise no ensaio Da Experiência, o último dos Ensaios de Montaigne. Capítulo 6: Aphra Behn. Na sexta lição problemas relacionados à visão do “outro” são discutidos pela professora-narradora através da leitura do Oroonoko, de Aphra Behn, leitura acompanhada pela análise de uma série de exemplos de mulheres artistas ou escritoras que precedem, historicamente, Aphra. Capítulo 7: Laurence Sterne. Uma espécie de cânone de autores especulativos e digressivos é estabelecido pela professora-narradora na sétima lição, que culmina com a leitura e os comentários à A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Capítulo 8: Jane Austen. Na oitava lição Fanny Price, a heroína virtuosa do romance Mansfield Park, de Jane Austen, é levada a “julgamento” em sala de aula, em uma atividade proposta pela professora-narradora que levanta uma série de questões relacionadas à empatia do leitor com personagens ficcionais. Capítulo 9: Gustave Flaubert. Nesta lição a professora-narradora, a partir de uma série de exemplos literários, que culminam no estudo de Bouvard e Pécuchet, de Flaubert, aborda com especial atenção a questão do complexo de inferioridade intelectual. Capítulo 10: Alfred Jarry. Mais uma vez uma atividade didática diferente é proposta pela professora-narradora a seus alunos, que agora, depois de encenarem trechos de Ubu Rei, devem analisar passagens do Doutor Faustroll (ou Manual de Patafísica), de Alfred Jarry. Capítulo 11: Thomas Mann. A leitura de A montanha mágica, de Thomas Mann, leva à reflexão, nesta aula, sobre a utilidade ou inutilidade da cultura e do conhecimento. Capítulo 12: Primo Levi. A última lição é também a última aula da disciplina de História da Cultura, momento em que se debate noções complementares como a de carpe diem, aproveite o momento, e o da incomunicabilidade diante de grandes tragédias humanitárias a partir da leitura do diário de Anne Frank e, sobretudo, de Se isto é um homem?, de Primo Levi. Cada lição é arrematada por uma “Moral da lição de hoje”, em geral um comentário irônico que joga com ideias que, de algum modo, tenham aparecido no transcorrer da respectiva lição.
Doze Lições -
Daniela Kern
Edição da Autora
2016
147 páginas
4h 54m
ISBN-10: B01MQKQPMO
Português Brasileiro
Edições (1)
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