Fernanda Montenegro - A defesa do mistério - Coleção Aplauso

    Neusa Barbosa

    Imprensa Oficial
    2009
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788570605986
    Português Brasileiro

    Fernanda Montenegro é uma das poucas unanimidades nacionais, sendo considerada por todos - público, crítica e colegas - a maior atriz do Brasil. È também a primeira brasileira a ter uma indicação ao Oscar (de protagonista, em 1999, por Central do Brasil, de Walter Salles). Na ocasião, ainda que voltar para casa com a estatueta se mostrasse missão impossível, dado o calibre das atrizes candidatas, todos no Brasil assistimos á cerimônia em clima de Copa do Mundo. Ironicamente, a descoberta de Fernanda Montenegro pelo cinema se deu depois do rádio, do teatro e da tevê - seu primeiro filme aconteceu quando já tinha 36 anos. Mesmo sendo um ícone lendário do teatro brasileiro, teve em muitos filmes pequenas participações especiais. Mas sua tardia consagração internacional talvez tenha se dado justamente em função dessa maturidade profissional. Nascida Arlete Pinheiro da Silva, no Rio de Janeiro, de modesta família de imigrantes portugueses e italianos, tornou-se locutora, redatora e radia-atriz aos 15 anos, ao passar em Concurso da Rádio Ministério da Educação. No teatro amador, do qual participava também Nicette Bruno, Beatriz Segall, conheceu Fernando Torres, que viria ser marido e companheiro de toda a vida. Com ele teve os filhos Cláudio, diretor de cinema e Fernandinha, atriz. Sua estréia profissional como atriz de teatro ocorreu em 1952, com a peça Loucuras do Imperador. No entanto, sua carreira somente veio a se consolidar quando, juntamente com o marido, os atores Ítalo Rossi, Sérgio Britto e o cenógrafo e diretor Gianni Ratto, formou sua própria companhia, o célebre Teatro dos Sete. Dede então o palco, no cinema e na televisão, participou de momentos antológicos e gloriosos da dramaturgia brasileira. Parte de sua história é revivida neste livro-depoimento, escrito pela jornalista Neusa Barbosa, que integra a Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em sua proposta de registrar e celebrar os grandes momentos da vida cultural brasileira.

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    Charles Nascimento picture
    Charles Nascimento20/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ler sobre a vida e a obra de Fernanda Montenegro é sempre uma delícia, além de ser um estímulo, uma inspiração... Esse é a segunda biografia que leio dela (o primeiro foi 'Fernada Montenegro em O exercício da paixão' de Lucia Rito) além, claro, de sua autobiografia (Prólogo, Ato, Epílogo). Esse projeto da Imprensa Oficial é um dos meus favoritos desde que tive conhecimento dele. É resgatar uma memória já apagada, é reviver momentos gloriosos e estivadores de nossa cultura. "Às vezes a dureza da vida dá a você um orgulho, uma espinha, uma distinção, por incrível que pareça." Fernanda é uma biblioteca de conhecimento, sua vocação quase que inteiramente autodidata a transformou nessa mulher tão conhecedora de teatro, cinema e televisão. Quando comparo a Fernanda de A Falecida (seu primeiro filme, em 1964), Central do Brasil (em 1998) e seu último filme assistido, Vitória (2025), ela continua visceral e catártica em seu modo de atuar. E o que dizer de sua atuação em 'Ainda estou aqui' (de 2024) fazendo uma Eunice Paiva já acometida pelo Alzheimer?, uma atuação sem falas, só de olhares (ali ela foi fulgural). Assim é o trabalho de Fernanda, uma operária das artes que aos 95 anos ainda se prepara para lançar seu último filme, 'Velhos Bandidos' (de Claudio Torres, seu filho) é uma comédia que conta também com o veterano Ari Fontoura. Isso sem falar no mundo que é sua vivência com o teatro, que infelizmente ainda não tive essa oportunidade de vê-la nos palcos (atualmente ela faz leituras, como a que fez de Simone de Beauvoir para mais de 15 mil pessoas no Ibirapuera em 2024). "No teatro, você tem de pôr a pedra do Sísifo no alto da montanha todo dia" "Se eu tenho alguma arte em mim, ela veio do meu pai." O que ele fazia era regido pela ideia de que tudo tem a sua arte. Ele não dizia arte, dizia ciência: 'Tudo na vida, minha filha, tem uma ciência'. O que hoje eu traduzo: Tudo na vida é uma arte.

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