Elizabeth Barnes é como milhares de jovens: ela não aceita a ideia de que está perigosamente magra, mantendo a obsessão sempre viva pelo menor tamanho de roupas e não se alimentando. Seus pais decidem levá-la para uma clínica de tratamento para garotas com distúrbios alimentares e lá Elizabeth é forçada a encarar a sua doença e das outras pacientes.
"After all, you have to suffer to be beautiful."
Logo, enquanto lida com suas ansiedades, ela começa a receber pacotes misteriosos com presentes que parecem ter uma ligação com seu ex-namorado. Ele havia terminado com ela e Elizabeth nunca o esqueceu. What I Lost possui um tema forte, que logo me interessou. A narrativa em primeira pessoa é cativante, sendo uma das poucas leituras que realmente devorei nos últimos tempos. Elizabeth é uma personagem bem construída e que nunca parece pouco crível, que desperta a empatia do leitor e inclusive pode proporcionar aproximação.
Nunca tive um problema como o dela, e sou realmente feliz por isso, mas também estive perdida por muito tempo entre os medos e ansiedades, não saudável. Além de Elizabeth conhecemos as outras pacientes da clínica, o que apresenta a possibilidade de aprofundar ainda mais nesse mundo. É um bom livro para entender os distúrbios alimentares e ansiedades provocadas pelos mesmos, tanto como enfermo como alguém que deseja apenas saber o que se passa na cabeça dele.
"He kissed me again and everything in the world was perfect: the air, the night, the beach, even me."
O mais interessante é que esse romance aborda não apenas a mente de uma pessoa com distúrbios alimentares como tenta decifrar as raízes dessa problemática. Um ponto explorado, então, é a família que, na maioria das vezes, tem uma relação. É uma reflexão importante. Ainda, What I Lost possui um pequeno mistério ligado ao romance, com os presentes que Elizabeth vai recebendo.
Eu só gostaria que esse romance tivesse passado uma mensagem realmente importante: não é impossível comer donuts, espaguete, sorvete e continuar magra (mas cuidado com o conceito de magro) e saudável. Há milhões de exemplos pelo mundo todo, basta ter equilíbrio. Equilíbrio esse que tenho por comer com moderação o que não faz bem, mantendo sempre os alimentos saudáveis, e exercitar-se.
"I thought that the world look different somehow, because I was different. But everything was the same. When we'd pass a car, I'd look at it and think, Those people have no idea where I'm coming from, what I've been through. Then I wondered i maybe all of us, on the road, were doing the same thing."
Apesar disso, a estória trouxe muitas reflexões importantes e mostrou como a recuperação de uma enfermidade como essa é gradual e exige muito esforço mesmo. Posso dizer que esse foi um dos melhores livros que li nos últimos meses, em que eu estava com um problema terrível de não encontrar com frequência leituras que realmente me instigassem e agradassem até o fim.