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    Tigre de papel -

    Olivier Rolin

    Cosac Naify
    2006
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: 8575035444
    Português Brasileiro
    3.4
    12 avaliações
    Leram25Lendo3Querem97Relendo0Abandonos8Resenhas2
    Favoritos2Desejados97Avaliaram12

    O livro do francês Olivier Rolin renova o romance político e conta a história de uma geração com poesia e humor. O autor viveu os inflamados acontecimentos de Maio de 68, quando uma revolução que parecia movida pelo desejo tomou conta do mundo, tendo Paris como epicentro. O objetivo da Causa, a organização em que militava Martin, narrador e alter-ego literário de Rolin, era acabar com os "tigres de papel" do imperialismo, mas não só isso: por trás, havia o desejo de reparar o erro da geração de seus pais, que capitularam diante dos nazistas na Segunda Guerra e sofreram uma derrota sem honra na Indochina, na guerra colonial que anos depois culminaria na tragédia do Vietnã. O acerto de contas que Rolin faz em Tigre de papel, portanto, não é apenas com a sua própria geração, mas também com a de seus pais e com a seguinte, representada pela jovem que ouve a narração no banco do carona. Ela é Marie, a filha de Treize, seu melhor amigo e companheiro de militância na Causa, morto no começo dos anos 1980 em circunstâncias que vão sendo reveladas ao longo da história. Na virada do século, Rolin transformou essas histórias que dormiam nos jornais de trinta anos atrás, como diz a epígrafe de Marcel Proust, num romance denso e belo sobre a sua geração, que não fez a Revolução mas extraiu dela algumas lições de beleza. O livro foi lançado na França em 2002, com grande repercussão. Foi finalista do Prêmio Goncourt e ganhou o France Culture 2003.

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    Raull11/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Eu quase desisti.

    Não vou mentir, eu quase o abandonei. O livro é um longo depoimento de situações pessoais e coletivas que retratam a histórica geração de 68. No início, a sequência narrativa me incomodou, longos parágrafos e diálogos pouco demarcados, assim, não foi fácil me situar no tempo e espaços descritos. Contudo, insisti e logo me imergi completamente nesse amontoado de palavras. Fui muito entretido com todas as aventuras de um tempo em que o heroísmo ainda rondava o imaginário coletivo e inflamava ações agressivas de grupos de todo tipo de natureza política. Senti os ares e sons dos lugares citados, sejam eles uma praia, as férias num lago, as ruas de Paris, a guerra sob o calor úmido do Vietnam, ou as águas agitadas do rio Mekong. Spoiler: o quarto capítulo é o mais legal!

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 12
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas17%
    • 3 estrelas50%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas8%
    Olivier Jean Rolin profile picture

    Olivier Jean Rolin

    Escritor e jornalista francês. Na sua juventude participou ativamente nos movimentos de esquerda que contestaram fortemente o poder em França nos finais dos anos 60 e início da década de 70. Olivier Rolin participou, nomeadamente, no maio de 68, tendo estado durante sete anos ligado aos movimentos clandestinos de esquerda que contestavam o regime. Em 1983, já com 36 anos e com carreira no jornalismo, deu os primeiros passos na literatura, ao lançar o romance Phénomène Futur. Em 1993 foi pela primeira vez editada uma obra de Olivier Rolin em Portugal, A Invenção do Mundo, no mesmo ano em que lançou Port-Soudan (Porto Sudão), editado em Portugal no ano seguinte, que lhe valeu o prémio Femina. Posteriormente, chegaram a Portugal obras suas como Cerco a Cartum, Mon galurin gris (O Meu Chapéu Cinzento) e Paysages originels (Paisagens Originais). Em 2003 Olivier Rolin lançou Tigre en papier (Tigre de Papel), um romance com muitas características autobiográficas, onde recordou os seus tempos passados no período revolucionário que ficou associado à designação maio 68. O livro ganhou nesse ano o Prémio France Culture. Paralelamente à carreira de escritor, prosseguiu a de jornalista, trabalhando como grande repórter para publicações francesas como o jornal Libération e a revista Nouvel Observateur. Olivier Rolin escreveu uma série de reportagens no Afeganistão, após a guerra que afastou os Taliban do poder em 2002. Ao mesmo tempo encetou contactos com intelectuais e escritores afegãos, de modo a ajudá-los a sair do isolamento a que estavam votados. Rolin desempenha ainda as funções de editor na editora francesa Seuil.

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