A história da escola de samba Império Serrano, que completa 70 anos em 2017. A história de uma escola de samba sempre é a história do bairro, da região, onde surgiu e evoluiu. Há exceções, porém: Mangueira, Portela, Salgueiro e Império Serrano, instituições com cujos caminhos é possível contar o caminho do Rio de Janeiro no século XX. A trajetória do Império Serrano, por exemplo, confunde-se com a da cidade de forma dramática. Afinal, ascensão e declínio de ambos não apenas coincidem; estão relacionados. Nove vezes campeã do carnaval, sendo a última em 1982, não terá sido à toa que a agremiação cantou as glórias – e as saudades – do estado da Guanabara em 1988. De lá para cá, foram alguns rebaixamentos, logo seguidos do regresso à elite, até que se estabilizasse na segunda divisão do carnaval. Em 2017, quando o Império Serrano completa setenta anos, somam-se já oito no grupo de acesso, período em que – também não à toa – o morro da Serrinha, berço da escola, teve escalada de violência sem precedente. Nada, porém, que ofusque uma história em cuja fundação o mais importante pilar é o da revolta contra o autoritarismo e em cuja origem suburbana, logo após a abolição, encontram-se trabalhadores rurais da velha freguesia do Irajá, gente vinda do Vale do Paraíba e da Zona da Mata mineira e estivadores do porto do Rio. Esse encontro garantiu – e parece garantir independentemente de carnaval e da passagem do tempo – que o Império Serrano se constituísse num dos mais sólidos polos irradiadores de cultura do Brasil, núcleo criativo referencial para a vitalidade do samba, casa de gênios como Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara, Beto Sem Braço e Arlindo Cruz. E ninguém melhor do que Rachel Valença para contar – 35 anos depois da primeira versão deste livro pioneiro, escrita com o saudoso Suetônio Valença – esse enredo brasileiro fundamental.
Serra, Serrinha, Serrano - o Império do Samba
Rachel Valença, Suetônio Valença
A maravilha de cenário do Menino de 47
Tags de recomendação: não-ficção; história; cultura; preto; carnaval; Rio de Janeiro; Brasil; Eu já tinha conhecimento deste livro desde o lançamento de sua 2° edição, revisada e atualizada, em 2017. Mas sempre relutava em ler pq o colocava em um lugar tão especial que queria encontrar o momento perfeito, ideal, pois sabia que essa leitura seria um deleite pra mim. E de fato foi. E nas próximas linhas pretendo passar um pouco desse sentimento. O livro, como um documento histórico, pioneiro em suas características, conta a história do glorioso Império Serrano, escola de samba do Carnaval carioca fundada em 1947 por gente humilde, com muita honra e nobreza, da região de Madureira, Vaz Lobo e redondezas. Por gente do morro da Serrinha. Iniciando desde antes de sua fundação, contextualizando o período, o que era a região e o que acontecia no período de Carnaval que culminou com o surgimento desde expoente de samba e cultura popular na cidade. E um nascimento já grande, conquistando 4 títulos do Carnaval nos 4 primeiros anos de vida. Feito inédito e inigualável. Passando por todos os 70 carnavais da escola (1948 até 2017, data de lançamento da edição), mostrando o desempenho da escola, curiosidades e fatos marcantes de cada desfile, os sambas de carnaval e de terreiro e seu povo, os autores dão verdadeira aula de história e é notável o tamanho e influência da escola para o país pois como é dito, é foi abraçado pela escola como lema, o Império Serrano é uma escola de samba. Onde é ensinado de diferentes formas, desde sempre, valores fundamentais como respeito, tradição, ancestralidade, entre outros. E não poderia faltar se debruçar sobre a história de quem fez tornar realidade o sonho de ter uma escola de todos, para todos. Democrática. Sem dono. Para esses verdadeiros heróis, alguns já com livros biográficos e outros sem tanto reconhecimento assim (fora da escola/Carnaval), foi feito uma pequena apresentação desses personagens que não poderiam ficar de fora ao narrar tão bela história. Não foram poucos os momentos em que me vi emocionado e até mesmo arrepiado ao ver ali, eternizado no papel, através de palavras, a história de minha família. Isso, principalmente para o povo preto, é um feito e tanto. É louvável que tamanha riqueza de documentação tenha sobrevivido por tanto tempo. Mérito de quem trabalhou neste livro. Seja coletando materiais ao longo dos anos, através de pesquisas em arquivos de instituições e pessoais com membros da escola ou com entrevistas com baluartes. História, como já falado, gloriosa. Uma verdadeira epopeia com seus dramas, suas vitórias, momentos bons, de puro êxtase e outros nem tão felizes assim. Se a história contada perpassa a história familiar, já para o final ainda foi possível ter as mesmas sensações de emoção e arrepio ao ler parte da história da qual eu mesmo fiz parte e vi acontecer, pois comecei a desfilar pela escola em 2012. Já se foram mais de 10 anos de dedicação e amor dos atuais 76 que o Império (sim, no masculino. E não "a" Império, como muitos acabam falando) que o Reizinho de Madureira possui. Este livro, se não for o melhor que li no ano, dificilmente estará fora do top 3. Recomendo para qualquer um: para os que já são apaixonados por carnaval, para os que não são mas querem começar a ver as folias de Momo com outros olhos e até para quem não gosta de carnaval pois o Império não é só carnaval.
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