O Homem Demolido é obra de imaginação, entre a ficção científica, a ficção simplesmente e a realidade futura. Nada mais próximo da imaginação, como se sabe, do que a realidade... Um assassinato no século 24 não difere muito, na essência, de um assassinato no século 20 ou em qualquer outro século. Um crime é sempre um crime. E o crime não compensa... Disponível no link: http://livrosdoexilado.org/o-homem-demolido-alfred-bester/ Como reagirá uma sociedade interplanetária a um crime como o que pratica em 2301 o proprietário da mais poderosa empresa comercial do sistema solar, para se ver livre da ruína? O seu crime é planetário, abrange vastas áreas no espaço, mas os meios de combatê-lo também o são. os métodos da repressão ao crime são diferentes dos de hoje. Como reage a sociedade perante o crime, ou para evitá-lo ou para puni-lo? Todas as armas são diferentes, todos os processos, todos os métodos... Mas o amor, este, continua igual (ou parecido). Entre um caso criminal e um caso de amor, o universo estremece. E os estudos científicos serão aplicados, conduzindo a uma série de acontecimentos surpreendentes, inesperados e terríveis. Entre a surpresa, o pavor e os sentimentos eternos do homem, chega-se ao inesperado desfecho desta obra invulgar, que tem sido um best-seller no seu gênero.
O Homem Demolido (Grandes Sucessos) - The Demolished Man
Alfred Bester
Destino: A Demolição
Quando escrevi a análise de "Cavernas de Aço", livro de 1953 de Isaac Asimov, lembro-me de ter contado que a ideia do livro saiu da seguinte provocação: é possível escrever uma história de detetive com o pano de fundo da ficção-científica? Felizmente nosso Bom Doutor acabou se saindo muito bem e foi além, escrevendo mais 3 sequências (duas delas muito boas!). Pois bem: um ano antes, em 1952, era lançado um livro com uma premissa levemente parecida: seria possível escrever uma história de detetives em um mundo futuristico e ainda povoado por telepatas? O livro "O Homem Demolido" prova que é sim possível, mas será que o autor Alfred Bester se saiu tão bem quanto Asimov? Nesta história, ganhadora do primeiríssimo Prêmio Hugo da história em 1953, acompanhamos a trajetória do bilionário megalomaniaco Ben Reich, um grande magnata, dono de um dos maiores conglomerados comerciais do Sistema Solar, a Monarch Utilities & Resources. Quando ele vê seu Império comercial ameaçado por Kreye D'Courtney, líder do Cartel D'Courtney, ele lhe propõe uma fusão mas, com a negativa do mesmo, Reich decide assassinar o rival. Acontece que, neste mundo criado por Bester, é comum a ocorrência de telepatas, chamados na história de Paxens ou Psicodiafanizadores (ótima sonoridade!), que podem ter 3 níveis diferentes de poder telepático e que estão integrados nos mais diversos setores da sociedade, principalmente na polícia. Por isso mesmo é dito que naquele universo um assassinato não acontece há mais de 70 anos. Mas Ben Reich tem todo seu dinheiro e poder de influência para ajudá-lo nesta empreitada: com a ajuda de um Paxen nível 1 (o maior nível) subornado, ele adota várias estratégias (algumas francamente duvidosas) para colocar seu plano em ação e consegue realizar seu intento. E o mais interessante é que o assassinato ocorre bem no começo da história, subvertendo o que esperariamos de uma estória padrão de detetive. O foco dessa narrativa na verdade é o jogo da perseguição pois, para solucionar o caso, é destacado o detetive Lincoln Powell, um Paxen nível 1 e o herói da história. Então, basicamente, como Powell consegue psicodiafanizar Reich muito facilmente mas em si a informação não serve como prova, o foco da narrativa é o detetive colhendo as provas para montar o caso e provar a culpa de Reich e encaminha-lo para a demolição, explicada no final do livro. Ou seja, como podem ver, toda essa premissa parece interessante e na verdade é, este livro é repleto de boas ideias, bastante ação e investigações telepáticas. Mas há - infelizmente - algumas coisas que não gostei neste livro. A primeira delas e mais evidente é a execução da história. Bester quer aqui se destacar pela criatividade, então ele cria uma diversidade de invencionices com a diagramação dos diálogos telepáticos e a tipografia de alguns nomes de personagens que, sinceramente, só atrapalham a fluidez da narrativa, nem esteticamente é algo positivo, pra mim ao menos. Em certos momentos, senti dificuldade em seguir com a leitura, como se estivesse em uma máquina sem óleo nas engrenagens, entendem ? E não sei se foi problema com a tradução da minha edição, mas até alguns diálogos que deveriam ser normais acabaram me soando um pouco truncados. E não é só isso. Estamos falando de um livro dos anos 50 e é claro que há o problema mais evidente da era de ouro do sci-fi: a péssima construção de personagens femininas. Aqui isso é bem gritante e incomoda bastante. Basta citar como exemplo as 2 personagens femininas mais relevantes do livro: Mary Noyes, assistente de Powel e Barbara D'Courtney, filha da vítima de Ben Reich: ambas as personagens são apaixonadas pelo proganista (e são lindas, claro!). Voltando aos aspectos positivos: é bem interessante a forma como Bester constrói muito bem os 2 personagens principais, com bastante profundidade, com um sendo a antítese do outro, Yin e Yang, dois adversários que querem derrotar seu inimigo a qualquer custo, mas sempre mantendo um grande respeito pela inteligência e astúcia do outro. Enquanto Powel é o herói meio Han Solo (inclusive, na minha cabeça, ele tem a aparência do Deckard do filme "Blade Runner"), canastrão e que tem como hobby inventar histórias mentirosas (ele até deu um nome para essa sua personalidade: Abe Desonesto), ao mesmo tempo que é extremamente inteligente e sagaz e não mede esforços para capturar Reich, principalmente quando percebe que se ele concretizar a fusão dos dois impérios comerciais, ele vai submeter a galáxia à sua visão deturpada da realidade; Já Ben Reich descreve um arco bem intenso, começando a história relativamente contido e cauteloso em suas ações, mas caminhando em uma espiral em direção à loucura e à megalomania completa. Reich já demonstra no começo da história que tem algum desequilíbrio mental quando relata a seu psiquiatra psicodiafanista que tem pesadelos aterrorizantes com um homem sem rosto. Mas, no decorrer da história, a loucura de Ben vai crescendo a tal ponto que descobrimos que ele mesmo criou o homem sem rosto em seu subconsciente quando decidiu matar D'Courtney, pois inconsciente sabia que este era seu pai (Grande revelação do final da história) e o homem sem rosto seria a personificação da culpa que sentia por esse plano hediondo. Complicado, não? Complicado e engenhoso, eu diria. No final das contas, Powel acaba vencendo Reich e este acaba sendo enviado à demolição: uma espécie de pena capital, mas ao invés da morte física, a demolição é a destruição de todo traço de personalidade do indivíduo, é como se apertassem o botão de "reset" do cérebro, para que possam recriar a mente de forma positiva e reintroduzir o indivíduo demolido na sociedade. Interessante, não é? Em suma, o saldo acabou sendo positivo então é um livro que foi divertido de ler, apesar da dificuldade de alguns trechos. Estou com o livro "As Estrelas, Meu Destino" do Bester aqui na estante é devo dar uma chance a ele em um futuro próximo. Indian Summer - Indian Summer (1971) Teramaze - Esoteric Symbolism (2014)
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