The Broken Ones é uma prequel da trilogia Malediction, acompanhando a trágica história entre Marc e Penelópe,
Marc foi um dos meus personagens favoritos da série, eu estava animada para esta leitura. Dito isso, não pude deixar de me questionar enquanto estava lendo, o que faz um livro ser necessário? Por que esta história precisava ser contada? Nós conhecemos a história dos dois da trilogia original, The Broken Ones a conta com muito mais detalhes, mas sem muita coisa que justifique sua existência. O que não quer necessariamente dizer que é um livro ruim.
O maior problema, para mim, foram minhas expectativas, que estavam altas após o término de Warrior Witch. Mas a autora também toma muitas decisões erradas, então uma coisa de cada vez.
Para começar, a história nos dá pouca luz sobre como era o relacionamento entre os dois antes de descobrirem que Pénélope é hemofílica, algo que faz bastante falta. Quando os dois começam um relacionamento romântico, parece que falta algo, e só consegui torcer para eles como casal depois da metade do livro, depois de muitas interações, o que poderia ter sido evitado se a autora houvesse dedicado alguns capítulos no começo para nos mostrar como era antes.
Os novos personagens aqui, os pais de Marc, soam forçados demais, seus diálogos não são naturais, não consegui sentí-los. Enquanto Tristan está com quinze anos nesse livro, ainda é adolescente, e morri de vontade de dar uns belos tapas nele. Mas ele só tem quinze anos. Temos relances de personagens já conhecidos, a aparição de Lessa foi caricata, mas a de Anaïs e Thibault me agradou bastante, e percebi que sentia falta da primeira, o que me fez pensar que a trilogia teria tomado um caminho beeem diferente se ela não houvesse morrido no final do primeiro livro.
E chegamos ao ponto que me incomodou mais. Todos sabiam da doença de Pénélope, ela mesma havia convivido com isso por anos, então como nenhum dos dois pensou em tomar precauções para que ela não engravidasse? Vários personagens afirmam que isso teria sido fácil, e os dois não são mais crianças. Essa tragédia poderia ter sido facilmente evitada, o que tira parte do peso dela e faz o casal parecer... Não muito inteligente.
Mas o ritmo do livro é agradável, não há enrolações ou várias coisas acontecendo uma em cima da outra. Ainda falta sutileza e não há suspense, sabemos todos os personagens que vão morrer ou sobreviver, então é algo difícil de se fazer.
Os personagens são mais novos e, consequentemente, mais infantis do que estamos acostumados. A única exceção é Anaïs, e talvez a trilogia teria sido melhor com ela ao lado de Tristan no lugar de Cécile, pois esse livro me fez perceber que, mesmo em sua posição, ela era uma rainha. Ela teria lidado com todas as crises mil vezes melhor.
Algo que notei no livro foi como Tristan não entende as pessoas e suas motivações. Não instintivamente da maneira como a maioria faz, ele tem de estudá-las primeiro, e talvez essa seja a maior desvantagem que ele tem contra seus inimigos, afinal, Angoulême e Thibault veem os outros como livros abertos. Fiquei surpresa que ele não houvesse imaginado que Marc acabaria tomando decisões precipitadas com Pénélope, algo óbvio para todos, mas ele não entende. Ele sente empatia por outras pessoas e as ama, até certo nível compreende suas emoções, mas se compreende, é porque as estudou. É um detalhe quase imperceptível, e acredito que não foi a intenção da autora, já que ela não tem uma mão muito boa para sutilezas, mas quando percebi, foi como se tivesse lembrado de uma palavra que estivera por muito tempo na ponta da minha língua.
O livro fica mais interessante no final, a morte de Pénélope foi sentida, o sentimento que fica é que ela merecia uma oportunidade de viver e ser feliz. Entretanto, ao mesmo tempo que conta a história dos dois, também tira parte do impacto dela, pois os protagonistas deixam de ser as vítimas de uma tragédia, passando para dois jovens ingênuos que foram manipulados.
Mesmo com todos esses problemas, eu ainda gostei do livro. Foi como uma despedida, ver todos os personagens mais uma vez, estava ligado a todos emocionalmente, e o apelo de The Broken Ones é àqueles que leram ao menos Stolen Songbird e gostaram. A edição que eu li continha uma outra prequel, chamada The Songbird's Overture, mas ela não só é realmente desnecessária, como chata. E devo dizer que esse é o primeiro livro da série com uma capa bonita.
A autora diz que ele pode ser lido como um standalone, mas eu não recomendo, o mundo e relações seriam difíceis de entender sem ler ao menos o primeiro livro. The Broken Ones é uma fantasia para aqueles que também gostam de romance, com tramas políticas elaboradas, mas sem muitas surpresas, ideal para quem quer revisitar esse mundo, ou - como eu - dizer um último adeus.