The Language of Thorns é uma coletânea de histórias inspiradas em contos de fadas clássicos - reimaginados para o universo Grisha - que a Leigh Bardugo lançou faz um tempo e eu estava SEDENTA para ler. Nem preciso dizer que a mulher tirou de letra mais uma vez, né?
São cinco contos independentes que falam sobre fábulas e lendas antigas de diversos pontos do mundo estabelecido na trilogia Grisha e na duologia Six of Crows. Com sua escrita já familiar e cativante, Bardugo constrói essas narrativas trabalhadas no bizarro e no fantástico de maneira maravilhosa, conquistando sua curiosidade logo de cara em cada um dos contos.
Ayama and the Thorn Wood tem um que de Bela Adormecida e de Chapeuzinho Vermelho, mas, tal como as outras histórias, as semelhanças e inspirações são bem sutis dentro do cenário exuberante que a autora desenvolve. Fala sobre uma garota simples e suas histórias fantásticas capazes de encantar um monstro em uma floresta mágica; fala sobre ganância e sobre solidão com palavras poéticas e tocantes.
The Too-Clever Fox foi um dos meus favoritos, sem sombra de dúvidas. Uma raposa feia e esquecida pelos outros bichos da floresta é o animal mais perspicaz entre todos eles - inteligente o suficiente para entender os padrões de um terrível caçar que vem rondando o bosque onde vive. Mas sagaz o bastante para impedi-lo? Gostei do sarcasmo sutil e das reviravoltas interessantes que essa história propôs, mas principalmente por lidar com aquela certeza de que se é muito esperto acima de todo mundo como um perigo em certos momentos.
The Witch of Duva carregou um ar bem macabro e tenebroso de início. Acabou retratando um drama familiar inesperado e um fim de me deixar arrepiada de medo. Na história, a floresta devora garotinhas; Nadya sabe que tem algo de errado entre as árvores, mas é só quando o pai se casa novamente que ela é forçada a se arriscar até lá - o que acaba por colocá-la no caminho da verdade sobre o terrível segredo da floresta.
Little Knive narra a história de uma cidade em ruínas e porque seu destino chegou a tal tragédia. O passado dela envolve muitas riquezas e grandiosidade, uma princesa tão linda que generais e soldados e príncipes caíram por ela - fala sobre um grisha ambicioso que viu nessa princesa uma chance de se provar digno de estar entre os comuns; é uma história bastante marcante e que deu uma pontinha de saudade dos seres poderosos estabelecidos na trilogia.
The Soldier Prince usou artifícios do Quebra-Nozes e um pouco de Peter Pan e, de novo, uma aura macabra bem carregada no desconhecido. Acompanhamos um soldadinho criado por um artesão com dons mágicos - para se aproximar da filha de uma família rica, ele usa esse soldadinho encantado para ganhar o coração da garota. Acaba que o soldadinho também tem um coração e uma intensa vontade de viver; ele só não sabe como expressar isso ainda.
When water sang fire foi a maior história da coletânea e minha favorita por completo. Fala sobre sereias e sobre a magia antiga em suas canções, sobre uma amizade construída na estranheza e sobre uma criatura que não se encaixa em nenhum dos mundos; fala sobre poder, acima de tudo. Tem até a participação especial e inesperada de um conhecido rosto da Trilogia Grisha; gostei de toda fragilidade e medo que a Bardugo desenvolveu na protagonista e aaaaaaaa como se relacionou com o conto de fadas da Pequena Sereia. Que final!
Mais uma vez, histórias mágicas falando sobre os excluídos, os esquecidos e subestimados e como é perigoso quando se dá poder ao medo, à ambição e ao desespero.
A edição é de tirar o fôlego porque minha deusa do céu, que ilustrações DIVINAS! Elas acompanham as bordas das páginas e cada arte conta uma história junto com os contos; elas se desenvolvem através da narrativa até se tornar uma borda completa. É LINDO!
The Language of Thorns é uma leitura rápida para quem está familiarizado com o universo da autora e quer conhecer mais sobre ele; aquele tipo de livro que você pode imaginar nas bibliotecas dos castelos de Ravka porque narra a mitologia do próprio mundo dos Grisha. E, caso não conheça, mas queira se arriscar, são ótimas releituras dos contos fantásticos conhecidos por nós - dá pra reconhecer os padrões de inspiração na narrativa e é maravilhoso quando você relaciona o novo ao antigo.