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    Uma sensação estranha -

    Orhan Pamuk

    Companhia das Letras
    2017
    592 páginas
    19h 44m
    ISBN-13: 9788535928693
    Português Brasileiro
    4.4
    76 avaliações
    Leram114Lendo13Querem243Relendo0Abandonos3Resenhas5
    Favoritos10Desejados243Avaliaram76

    A partir dos olhar de um vendedor ambulante, Pamuk faz declaração de amor a Istambul em novo romance. O principal personagem da obra de Orhan Pamuk não costuma ser uma pessoa, mas uma cidade: Istambul. Em Uma sensação estranha não é diferente. A transformação da cidade ao longo de várias décadas é apresentada pelos olhos de um vendedor ambulante, Mevlut, que passeia pelas ruas com potes de iogurte, arroz, ervilha e boza - uma bebida turca típica, feita com trigo fermentado. Nascido num pobre vilarejo, Mevlut sai de casa aos doze anos rumo à cidade grande. Ali começa uma série de tentativas falhas de estudar, abrir negócios, engajar-se politicamente. Quando Mevlut chega à meia-idade, todos a seu redor estão de olho nas benesses fugazes de uma Turquia que se moderniza. Em Uma sensação estranha, Pamuk pinta um quadro brilhante da vida entre os recém-chegados que transformaram Istambul ao longo dos últimos cinquenta anos.

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    Higor picture
    Higor20/07/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Lendo Nobel": sobre uma carta de amor à Istambul

    Depois de me aventurar nas incríveis páginas de “Neve” e nas enfadonhas de “O livro negro”, era com receio que eu encarava o próximo livro de Orhan Pamuk, um autor que, antes de conhecer, tinha a sensação (sem trocadilhos) de que ia adorar logo de cara – o que acabou não acontecendo. Em dúvida entre o magnum opus “Meu nome é vermelho” e o recente, porém não pouco aclamado “Uma sensação estranha”, optei pela segunda, assim a frustração poderia ser menor. A grandiosidade desta obra, no entanto, era algo que eu, sinceramente, não esperava encontrar, tudo porque o livro fala muito mais que a vida de um personagem ao longo das décadas, com todos os dilemas morais, éticos e religiosos com que foi confrontando no decorrer da vida. Sim, temos como fio condutor Mevlut Karataş, um vendedor ambulante de iogurte e boza (bebida típica turca) que vive em uma aldeia no interior da Turquia. Logo no início tomamos conhecimento que o mesmo está fugindo para Istambul com uma moça, a quem ele vira apenas uma vez em uma festa de casamento, mas que, no momento da fuga, Mevlut percebe não se tratar de quem ele imaginava, mas sim a irmã de sua amada. Tal plot já seria o suficiente para encarar o desfecho dessa história de amor às avessas, e por que não dizer impossível?, mas Pamuk vai muito mais além, dando ao leitor muito mais motivos a se agarrar à história e não largar mais. É através de Mevlut, essa pessoa tão simples, tentando sobreviver em uma metrópole, que conhecemos a imponente Istambul, esta cidade, hoje a quinta mais popular do mundo, a antiga Bizâncio e Constantinopla, local da divisão dos continentes europeu e asiático; um país em constante choque entre moderno e tradicional, ocidental e oriental. É através de Mevlut que acompanhamos todos as transformações, inclusive físicas, mas culturais, religiosas e políticas que assolam Istambul entre os anos de 1969 e 2012, um bom tempo para entender a cidade. Eu, como futuro arquiteto, fiquei vislumbrado com os acontecimentos, já que a história de uma cidade é do meu interesse, logo, ver reformas sanitárias, nascimentos e mortes de bairros, centros comerciais e periféricos, assim como reorganização de muçulmanos, turistas, ricos, pobres, classes em ascensão e declínio. No entanto, quem não tem interesse ou não se envolve, direta ou indiretamente no ramo e/ou assunto, certamente vai passar as páginas sem enfado, afinal, tais painéis são ditos não com didatismo, e sim com amor. Uma carta de amor à Istambul, como dito na quarta capa, “Uma sensação estranha” sana qualquer dúvida que o leitor possa ter depois de encarar “Neve” e “O livro negro” e eventualmente não ter gostado. Com um enredo básico, sem floreios, que é a vida de um cidadão comum tentando ser alguém bem sucedido na vida, Orhan Pamuk suscitou bem mais alegria e aconchego que livros com quebra-cabeças elaborados. Através da bela história de um vendedor ambulante comum e sua trajetória ao longo das décadas, “Uma sensação estranha” apresenta toda a imponência e graciosidade de Istambul, além de todo o amor do autor por ela. Esta sim, o leitor reconhecerá, é a verdadeira protagonista. Este livro faz parte do projeto "Lendo Nobel". Mais em:

    10 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 76
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%
    Ferit Orhan Pamuk profile picture

    Ferit Orhan Pamuk

    Ferit Orhan Pamuk, mais conhecido como Orhan Pamuk, nasceu em 1952 em Istambul. Principal romancista turco da atualidade, já foi traduzido para mais de quarenta idiomas e ganhou o prêmio Nobel de literatura em 2006 e foi um dos primeiros turcos a falar abertamente sobre o massacre de armênios promovido pela Turquia no início do século XX. Cresceu em uma abastada família burguesa em declínio, uma experiência que ele descreve na passagem de romances seus como “O Livro Negro” e “O Senhor Cevdet e Seus Filhos”, bem como mais profundamente no seu “Istambul: Memórias e a Cidade”. Teve uma educação no Robert College da Turquia e passou estudar arquitetura na Universidade Técnica de Istambul. Abandonando a escola de arquitetura três anos depois, tornou-se escritor em tempo integral e, em 1976, graduou-se no Intituto de Jornalismo da Universidade de Istambul. Dos 22 a 30 anos, Pamuk conviveu com sua mãe, escreveu seu primeiro romance e tentou encontrar uma editora para a publicação.

    36 Livros
    114 Seguidores

    Ferit Orhan Pamuk