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    Eurico, o Presbítero -

    Alexandre Herculano

    Cultrix
    1972
    209 páginas
    6h 58m
    ISBN-1: 0
    Português
    3.4
    789 avaliações
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    Favoritos0Desejados778Avaliaram789

    "Eurico o presbítero" de Alexandre Herculano (1810 - 1877). Texto integral. Introdução e prefácio por Carlos Reis na colecção 'Biblioteca Ulisséia de Autores Portugueses'. Emocionante romance épico de cavalaria em que o personagem Eurico se vê forçado a escolher entre o amor à sua pátria e a fé em Deus. |...| "Eurico, o Presbítero" fala a respeito do fim do Reino Visigodo (O estado germânico dos west-goths, os godos do oeste ou visigodos, que abrangia o sudoeste da Gália e as Hispânias do século V ao VIII: uma parte a sul da França, a Espanha e Portugal; Gibraltar, Andorra, Navarra, País dos Bascos), diante da conquista dos muçulmanos que — partindo da África moura em 711 — avançaram pela maior parte da Península Ibérica durante o século VIII. O enredo conta a história de amor entre Eurico e Hermengarda, separados pela guerra, costumes e distinções sociais e, mais tarde, pela fé e os votos assumidos pelo herói. |...| Eurico e seu amigo Teodomiro de Córduba lutam ao lado do rei da Hispânia, Witiza (Vitiza), contra os "montanheses rebeldes e contra os francos, seus aliados". Depois de vencer o combate, Eurico vai viver em um vilarejo na área do ducado de Cantábria no qual encontra sua amada em uma igreja na missa e os dois tem um amor secreto, mas ele nao sabe que ela era da realeza e inocentemente pede a Fávila, orgulhoso duque da Cantábria, a mão de sua filha, Hermengarda, porém este recusa o pedido ao saber que se trata de um homem de origens humildes. Eurico, então, se entrega à religiosidade, tornando-se o presbítero de Cartéia, para se afastar das lembranças de Hermengarda, através das funções religiosas e da composição de poemas e hinos religiosos. No entanto, quando ele descobre que os árabes sarracenos estão invadindo a Península Ibérica, liderados por Tárique e Abdulaziz, alerta seu amigo Teodomiro e se transforma no enigmático Cavaleiro Negro. De maneira heróica, Eurico, agora o Cavaleiro Negro, luta em defesa de sua terra e, devido a seu ímpeto, ganha a admiração dos visigodos e dos demais povos da península, agora seus aliados, e lhes dá forças para combater o invasor. Quando a vitória parece certa para os godos, Sisebuto e Ebas, filhos do falecido imperador Vitiza, traem seu povo, a fim de ganhar o trono espanhol. Logo após, Roderico, o novo rei dos visigodos, morre na Batalha de Guadalete e o povo passa a ser liderado por Teodomiro que oferece resistência por certo tempo, mas acaba por aceitar as condições de paz oferecidas pelos "infiéis"... Enquanto isso, os mouros invadem o Mosteiro da Virgem Dolorosa e raptam Hermengarda. O Cavaleiro Negro a salva quando o Amir, que desejava fazer de Hermengarda sua amante, estava prestes a profaná-la. Durante a fuga, Hermengarda é levada até as Astúrias, onde está seu irmão Pelágio (Pelayo), líder da resistência goda, o futuro príncipe do Reino livre e independente das Astúrias. Em segurança numa gruta de Covadonga, Hermengarda encontra Eurico e declara seu amor por ele. Contudo, Eurico não acredita que esse amor possa se concretizar (ordenado sacerdote, aceitara os votos da Igreja e o celibato), e revela a real identidade do Cavaleiro Negro. Ao saber disso, Hermengarda perde a razão e Eurico, ciente de suas obrigações, parte para um combate suicida contra os árabes e enfrenta os traidores bispo Opas de Híspalis (Sevilha) e Juliano, o conde de Septum (Ceuta). Juliano era o governador da província gótica de além do Estreito, chamada Transfretana. |...| Com a publicação de Eurico, o Presbítero, em 1844, Alexandre Herculano inaugura o romance histórico em Portugal, ganhando a primazia a Almeida Garrett, cujo romance O Arco de Sant’Ana será editado dois anos mais tarde. O desenho da personagem de Eurico obedece à personalidade austera, independente, solitária e profundamente religiosa (sem obediência a um credo cristalizado) de Alexandre Herculano, historiador e cidadão divorciado das intrigas políticas do constitucionalismo liberal. Eurico evidencia-se, assim, como o retrato ético e cívico do seu autor, batalhando individualmente pelo progresso da pátria, exilado como Eurico, íntegro como Eurico, generoso, oferecendo a vida no cerco liberal do Porto como Eurico, disfarçado de Cavaleiro Negro, a oferecia nas pelejas contra o invasor; devotado ao silêncio da decifração de documentos medievais, como Eurico na solidão dos claustros. Eurico combate pela liberdade de 'Espanha', sofrendo injustos desentendimentos com a família de Hermengarda; Alexandre Herculano luta pela liberdade de Portugal contra o absolutismo régio. Dificilmente se encontrará outro romance em Portugal onde a essência da vida do autor e a da vida da personagem principal, sendo diferentes e existindo em épocas históricas diferentes, se plasmem harmonicamente numa vigorosa unidade estética. Uma dramática e brilhante alegoria [subjacente à questão] da formação das identidades históricas de Portugal e Espanha -- apartados em trajetórias e caminhos individualistas e autônomos -- no alvorecer das nacionalidades...

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    Clio picture
    Clio06/01/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um romance de cavalaria português que merecia ser transformado em filme. A tragédia de Eurico é um épico. A luta contra invasores, o amor impossível por Hemengarda, a devoção religiosa. Tudo perfeitamente entrelaçado por Alexandre Herculano que quis deixar a marca lusitana entre tantas outras obras clássicas como El Cid, Ivanhoé e Artur da Távola. A adaptação feita para o português moderno cumpre seu papel - quase não é preciso o refúgio a um dicionário ou enciclopédia. Porém, o leitor mais acostumado ao ritmo dinâmico dos romances históricos atuais pode se sentir enfadado, já que todo o rol de personagens é dado a introspecção. O livro ainda apresenta batalhas sanguinolentas e discussões ferrenhas em que até os insultos são referidos, embora ainda dentro do gênero a que se propõe. Meu volume sofreu um pouco durante a leitura, e a lombada descolou... não sei se foi azar ou um defeito comum dessa edição.

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