Crepúsculo dos ídolos - ou Como se filosofa com o martelo

    Friedrich Nietzsche

    Companhia de Bolso
    2017
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788535928587
    Português Brasileiro

    "Crepúsculo dos Ídolos" foi a penúltima obra de Nietzsche, escrita e impressa em 1888, pouco antes de o filósofo perder a razão. O próprio Nietzsche a caracterizou como um aperitivo, destinado a abrir o apetite dos leitores para a sua filosofia. Trata-se de uma síntese e introdução a toda a sua obra, e ao mesmo tempo uma "declaração de guerra". É com espírito guerreiro que ele se lança contra os "ídolos", as ilusões antigas e novas do Ocidente: a moral cristã, os grandes equívocos da filosofia, as idéias e tendências modernas e seus representantes. De tão variados e abrangentes, esses ataques compõem um mosaico dos temas e atitudes do autor: o perspectivismo, o "aristocratismo", o realismo ante a sexualidade, o materialismo, a abordagem psicológica de artistas e pensadores, o antigermanismo, a misoginia.

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    Manoela02/03/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Muitas críticas ácidas para...

    Ler Nietzsche é abrir sua cabeça para um mar de perguntas e estar preparado para uma argumentação nada ponderada sobre o que é criticado, muitas vezes mal interpretado e até parecer tomar uma postura utópica diante do que vivemos hoje. É preciso ter paciência para por "os pingos nos ís". O principal objetivo do autor nesse livro é tentar através do texto ácido retirar as bases de quem se sustenta numa filosofia cristã. Venho talvez há duas semanas tentando entender melhor esse livro que devido a maneira como foi escrito, através de aforismos é capaz de dar “muito pano para as mangas”, bem como traz muitas dúvidas com relação as formas de utilizar a informação nele contida. O livro fala basicamente em relação a vontade de poder, ao niilismo e a razão. Nietzsche vai defender ao meu ver que o indivíduo não deve negar-se ou flagelar-se em relação ao que faz. Se você não é capaz de viver e de conviver com a pessoa que é, não crie subterfúgios morais para negar a si próprio ou justificar nos outros o que não lhe pertence. A partir da premissa de que o ser humano é dotado de instintos, a felicidade vai residir em dar vazão ao que se sente. É defendida a coragem de agir e ter força em relação ao que se deseja. Para Nietzsche a felicidade deve ser encontrada no mundo em que vivemos, não se tendo, portanto, a concepção de algo é bom ou ruim. É criticado a linguística, por meio da qual foram criados o princípio da dialética, aproveita, portanto, para criticar toda a psicologia que se baseia em dialética como uma forma de vício e ociosidade, como se dissesse, quem muito fala, não chega a lugar nenhum. Para Nietzsche os sentidos não mentem e como elemento de primeira ordem é causa em si mesmo, diferentemente da razão, que se utiliza da dialética para a construção de uma virtude/moralismo que seria capaz de promover a felicidade. Para os sofistas o “mundo real” é o mundo interior e tudo o que existe exteriormente corresponde a um “mundo aparente”. Para mim Nietzsche consegue compreender a natureza do homem quando fala sobre a necessidade da espiritualização da sensualidade (amor) e da espiritualização das inimizades(conflito), o autor percebe que é utópica a tão desejada paz de espirito. O ser humano deve se afirmar quanto pessoa e não negar o que há a sua volta. Bom para Nietzsche é o que é natural, como os instintos. Acredito que a tresvalorização dos valores pregada por Nietzsche é não seguir os modelos pré-estabelecidos de felicidade, é encontrar a força em si e não no que se espera socialmente/moralmente que façamos. Portanto sermos livres e a partir dessa liberdade encarar o que acontece a nossa volta, não como punições ou premiações, mas como elementos que terão determinado efeito em nossa vida. O ponto mais difícil para mim ao longo da leitura foi a tentativa de se afastar de uma busca de explicações para os acontecimentos. Utilizar como é citado “vontade”, “consciência” (espirito), “eu” (sujeito) como causas. Ou mesmo o velho embate de tentar excluir algo estranho por ser mais confortável ou considerar que algo que não ocorreu como desejado, como por exemplo uma doença sejam resultado de um “merecimento”. “Alguma explicação é melhor do que nenhuma”. Será mesmo? “Todos os meios que, até hoje, se quis tornar moral a humanidade foram fundamentalmente imorais” “Na doutrina dos mistérios as dores são santificadas[...]tudo que garante o futuro implica dor, eterno prazer da criação” Então, -o homem nasce bom (livre) e a sociedade o corrompe(impondo a moral que só funciona aos subordinados)? - até onde vão os limites dessa vontade de poder? Existem limites? "24. Buscando pelas origens, o individuo torna-se caranguejo. O historiador olha para trás; por fim, ele também acredita para trás." Como vocês entendem a importância da história para uma análise de sistema? Ou mesmo, essa análise é necessária?

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