O grande Imperador visto de um novo ângulo: debaixo dos lençóis das amantes.
O grande Imperador visto de um novo ângulo: debaixo dos lençóis das amantes.
"Uma lei que foi um porre", sobre a Lei Seca nos EUA, em vigor entre 1920 e 1933. Em minha leitura, a reportagem mais interessante da edição, na busca de entendimento às causas e também sobre as consequências. Nas duas coisas, muitos fatos curiosos desenrolaram-se. Registros de destaque: - a política de repressão ao uso do álcool, nos moldes de imposição, já havia sido experimentada em pelo menos 11 nações, entre o final do século 19 e início do século 20 (todas fracassaram em razão do investimento essencialmente na repressão e não na educação); - graves problemas sociais, como a associação do álcool com a violência e doenças, foram inspiração para a lei, vendo-se nela uma forma de eliminação ou atenuação; mas também foi motivada por inspiração religiosa e pelo contexto da ascensão dos EUA no pós-primeira guerra, quando visões políticas foram citadas como influência determinante para uso essencial dos recursos - grãos e frutos - na alimentação (particularmente, acredito que esse último aspecto foi menos influente, pois entra em choque com o capitalismo oportunista que caracteriza a projeção norte-americana); - a política inibitiva acabou fortalecendo a máfia, que criou estratégias diversas para o comércio de bebidas; - entre as notas curiosas, a informação de que o período estimulou apego às bebidas destiladas, que tem maior teor alcoólico (de produção facilitada em relação às fermentadas, o que acabou agravando problemas que teoricamente inspiraram a tal lei); e aspecto inusitado no contexto religioso, pois, segundo a revista, em apoio a lei, houve edições bíblicas que substituíram as referências ao vinho por suco de uva (não sei quem utilizou e em que extensão ocorreu, ou se de fato ocorreu, mas reflete a influência do contexto tentando enquadrar as coisas a seu modo, como hoje, em que existe edição bíblica deturpada onde determinado público retirou ou amenizou passagens por discordarem de suas práticas). Por esses e outros aspectos, o texto foi interessante. "Os amores de Napoleão" (capa) destaca a trajetória amorosa do famoso líder, com histórias de timidez e insucessos em sua juventude, e conquistas relacionadas mais a sua projeção e representatividade. Não foi leitura instigante... "Sem destino" abordou a história dos ciganos, que teriam origem entre indianos do norte de sua nação, que se tornaram errantes e expatriados no século 11 (por conta de invasões e expulsões impostas por outros povos). O texto destaca que não tem uma única etnia, pois se tornaram multi-miscigenados, foram oprimidos também no holocausto e a visão de demonização que muitos lhe atribuem tem relação com a percepção de povo expatriado confundido com amaldiçoado. O aspecto mais curioso foi sobre Juscelino Kubtchek, que seria descendente de família cigana que migrou para Minas Gerais no século 19. Das dicas de leitura registro "As Américas e a civilização", de Darcy Ribeiro. Segundo o comentário, a proposta não é apenas de entendimento das origens de desigualdades sociais nas nações americanas, mas também sobre soluções ante o subdesenvolvimento. Curti também a reportagem sobre os 20 anos do acidente radioativo em Goiás. Sucinta e esclarecedora sobre o modo como se desenvolveu, através de interessantes ilustrações em cronologia. Impressionante como 90 gramas do Césio 137 foram capazes de gerar mais de 13 toneladas de material radioativo. Merecia reportagem mais detalhada e elaborada. Assunto de maior interesse que o tema privilegiado na capa da edição.

