SCHWEITZER, M. M. A Sombra da Inocência. Ed. Smashwords. 2016
Dando seguimento nos segredos desse vasto mundo que é Morserus, essa história tem como principal protagonista o coelho Kuro do reino de Ilys. Kuro tinha uma vida perfeita, seu pai era um herói militar e sua mãe super amorosa e carinhosa mostrando os mais diversos lugares a ele. O pai dele de herói passou à um bêbado amargurado com sua vida após perder o seu braço dominante. A partir desse acontecimento é que o ódio e a amargura começaram a nascer em Kuro que não conseguia compreender e aceitar as reviravoltas que acontecia em sua vida.
Kuro não vivia mais na capital e não tinha mais aquela mãe amorosa ao seu lado e muito menos um futuro promissor com o qual ele sonhava. Daquilo que sobrou do seu sonho de seguir a carreira igual a do pai ficou apenas os treinamentos diários com o pai e o irmão mais novo, Aito. Por mais que as coisas estivessem mudadas, o pai de Kuro e Aito jamais abandonou os treinamentos, pois acreditava que deviam estar preparados para as coisas que o mundo reservava.
Kuro, Aito e o pai agora moravam em uma casa de campo, ordenhando Figys (espécie de ovelhas) e cuidando dos afazeres do dia-a-dia. Kuro admite que apesar dos desentendimentos com o pai, o treinamento, eram os melhores momentos de seu dia. Mas ao cair da noite é onde ele remói todos os acontecimentos de sua vida, motivo pelo qual nutre fortes sentimentos de ódio, rancor e perdas. Um fato curioso é que seu irmão Aito não pensa da mesma maneira, e Kuro acredita que ele é jovem demais para compreender.
Aito gosta muito de livros, e acha maravilhoso conhecer tantas coisas sobre o mundo de Morserus através deles. Em um dos livros lidos, ele viu que cada pessoa possui dentro de si sombras e luz. Os pensamentos que trazem a alegria são luz e os que trazem tristeza são as sombras. Sendo assim você é livre para escolher o que te deixa feliz, porém há aqueles que se perdem seguindo a própria sombra por acharem que é isso que realmente são, afastando-se da luz.
Kuro não compreende a lógica do irmão, achando se tratar apenas de palavras bonitas, e assim Kuro prefere nutrir os sentimentos negativos em relação ao abandono da mãe e o ódio pelo pai.
Uma noite, os irmãos sozinhos em casa, ouvem choros vindos de fora, onde se encontrava os Figys, completamente aterrorizados. Indo para fora Kuro encontra alguns deles mortos com as gargantas dilaceradas e um ainda agonizando com as tripas para fora.
Eles se dão conta de que uma criatura feroz havia atacado os pobres animais, não tendo a quem pedir ajuda, Kuro espera amanhecer para poder ir atras do tal monstro que havia feito aquilo com o rebanho. Decidido a provar que não tinha medo do mundo, Kuro veste a roupa do pai e segue em direção a floresta para matar a criatura e proteger o irmão e os Figys restantes.
Kuro o encontra, se trata de uma criatura com pele cinza e enrugada, dentes e garras afiadas, portando dois pares de olhos vermelhos, que atraía as sombras à sua volta e as vestia como quem utiliza um manto. Quando os olhos dela encontram os seus, ele teme por sua vida e pela do irmão.
Eu fiquei completamente extasiado lendo essa história, é fantástico, apesar de trazer toda uma história violenta e sangrenta, traz também um embasamento filosófico sobre a luz e sombras (o bem e o mal) até agora só tenho elogios a esta obra de Schweitzer.