No terceiro livro da série O Lago Negro, Verônica é colocada em um transe hipnótico, a fim de mergulhar nas profundezas de sua mente. Drake Carballo, o poderoso mentalista que conhece todos os caminhos para suas memórias reprimidas, irá ajudá-la a encontrar as respostas para os mistérios que envolvem Lagoana, assim como as razões que levaram seu pai, Andreas Cattani, a envolvê-la nessa trama.
Esse é o livro em que vamos mergulhar dentro da cabeça de Verônica. Vamos viver cada memória da protagonista e descobrir do que realmente é feita a sua loucura. Talvez eu seja tão louca quanto a V porque adorei o mundo dentro da sua cabeça. Juliana conseguiu misturar versões dark de Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz (pelo menos foi a impressão que tive), criando um novo universo dentro da cabeça da sua protagonista. Além disso, temos a aparição da eterna Vanessa, protagonista de Uma Canção para a Libélula, primeiro livro da autora. Vi essa parte como uma maneira de conectar as duas personagens em meio a seus problemas distintos, mas complementares, eu diria.
Falando na Ju, percebi um crescimento enorme na escrita dela. Seu vocabulário, agora um tanto mais rebuscado, é perfeito para descrever cada detalhe das cenas vividas por Verônica enquanto está em transe. Não sei descrever bem a sensação, mas era como acompanhar um daqueles espetáculos de balé que tudo começa simples para depois se tornar um misto de intensidade e calmaria. Também percebe-se um pleno domínio com relação aos seus personagens. É como se ela fosse todos eles juntos. Agora também podemos acompanhar a história através dos olhos de Enzo, além de Liam e a própria Verônica. E a diferença entre eles é incrível. Cada um tem a sua própria voz e suas próprias características. Se os nomes dos narradores não estivesses no início de cada capítulo, não fariam a menor diferença, uma vez que a personalidade deles é tão bem definida que fica fácil saber quem está nos contando a história.
Enquanto o primeiro livro nos apresenta o contexto e o segundo inicia a trama, Profundezas Sombrias vem cheio de ação, surpresas, mistérios e ainda mais suspense. Alguns mistérios dos livros anteriores serão solucionados, mas não se engane porque muitos outros chegarão sem aviso prévio, nos fazendo ansiar pelos próximos capítulos.
Essa história em si carrega um peso muito maior se comparada a sua antecessora, já que nos propõe um mergulho dentro da cabeça de Verônica, o único local capaz de nos dar respostas. E Juliana faz um trabalho brilhante. Ela não só carrega o peso, como faz malabarismo com ele. A autora sabe muito bem como conduzir o mundo que criou, instigando o leitor a todo momento. É bem difícil querer parar de ler. Por vezes tive que me forçar porque precisava dormir. Devo dizer que acompanho o trabalho da Ju desde o início e sinto muito orgulho de ver que ela se supera cada vez mais. O mundo precisa conhecer o nome Juliana Daglio, gente!! rs
Enfim...
Profundezas Sombrias é o melhor livro da série até agora, mas ela ainda não acabou. Ainda temos o desfecho dessa trama maravilhosa. E enquanto ele não chega, eu te convido, ou melhor, te desafio a mergulhar junto com Verônica.