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    Psicanálise sem Édipo? - Uma antropologia clínica da histeria em Freud e Lacan

    Philippe Van Haute, Tomas Geyskens

    Autêntica
    2016
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788551301203
    Português Brasileiro
    3.9
    6 avaliações
    Leram18Lendo12Querem63Relendo0Abandonos0Resenhas1
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    Em Psicanálise sem Édipo?, Philippe Van Haute e Thomas Geyskens partem dos estudos de Freud e de Lacan sobre a histeria a fim de defender duas teses maiores. Primeiro, trata-se de se perguntar sobre o que existe na latência da teoria freudiana da sexualidade, para além da insistência no caráter normativo de modelos de socialização do desejo baseados na estrutura de conflitos própria ao complexo de Édipo. Essa latência indica a possibilidade de uma peculiar “psicanálise sem Édipo”, a saber, uma psicanálise mais capaz de lidar com a polimorfia da sexualidade humana. Nesse sentido, os esforços de Van Haute e de Geyskens se inscrevem em uma elaboração psicanalítica original do impacto da crítica do familiarismo, tal como desenvolvido em um importante setor da filosofia contemporânea, como podemos ver, por exemplo, em Foucault e em Deleuze e Guattari. No entanto, o verdadeiro objetivo se desvela mais à frente, explicitando-se no último capítulo deste impressionante livro. Trata-se da defesa de uma antropologia filosófica baseada naquilo que os autores entendem por “patoanalítica”. Abandonando o esquema tradicional de compreensão das relações entre normalidade e patologia, na qual uma antropologia normativa encontra expressão perfeita em um conceito de normalidade que servirá de orientação para as múltiplas modalidades de intervenção clínica, Van Haute e Geyskens procuram inverter esse sistema de valores. Dessa forma, as patologias se demonstram indissociáveis das formas de expressão da antropologia. Como dizia Lacan, não há sujeito sem sintoma. Da mesma forma, não há antropologia, não há reflexão sobre a natureza humana sem pathos. Tal perspectiva nos abre a orientações inovadoras, tanto para a clínica quanto para a reflexão filosófica. Pois se trata, por um lado, de se perguntar o que significa curar um pathosque expressa, à sua maneira, o que define a especificidade do anthropos. Não seria o caso de inicialmente denunciar, como condição para toda forma de “cura”, a verdadeira pedagogia do desejo que parece assombrar nossos conceitos de normalidade? Por outro lado, aparece uma antropologia que se serve continuamente da produção de anomalias e desvios como condição para sua própria realização, o que nos leva a uma visão muito mais rica e complexa da experiência humana.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Charles picture
    Charles03/12/2020Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Inovador

    -Nesse livro os autores abordam uma outra perspectiva sobre a psicanálise. Ao revisarem obras anteriores de Freud, antes de sua elaboração do Complexo de Édipo e as interpretações tardias de Lacan sobre histeria, os autores defendem uma visão patoanalítica das neuroses, que entende toda forma de neurose sendo uma expressão excessiva de algo que naturalmente constituí todos os conflitos humanos, assim sendo, o Complexo de Édipo é mostrado como uma tentativa de "normatizar" uma maneira ideal de resolução de conflitos na qual, tardiamente, Lacan acaba por se dar conta deste equívoco, o que o leva a reinterpretar a visão sobre o Édipo. -Será visto no livro outras bases interpretativas importantes como a bissexualidade, a teoria da sedução e as disposições. Outro ponto marcante são as associações feitas por Freud entre neurose obsessiva, histeria e paranóia com religião, arte e filosofia. . Ponto negativo: o livro se torna cansativo ao ficar interpretando o caso dora várias vezes. . Ponto positivo: traz uma perspectiva diferente sobre a questão do Édipo e sua importância.

    1 curtida

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