O que o inferno não é é um livro narrado intercaladamente em primeira e terceira pessoa. Abordando temas como o tráfico italiano, religião e socialização, o livro do autor Alessandro D'avenia foi lançado em Março de 2017 no Brasil pela editora Bertrand. O livro possui 384 páginas com capa de brochura.
Padre Pino é um senhor com seus 56 anos que é tão dedicado a ajudar os outros quanto é a Deus. A todo momento está preparando algum evento na precária igreja onde celebra suas missas. Usa a sua fé em Deus e seu dom da palavra para recrutar e resgatar jovens das ruas e do mundo do crime, este que é dominante em Brancaccio.
Brancaccio é um distrito da cidade de Palermo, na Itália. O próprio lugar é um dos protagonistas do livro. A máfia italiana é a dona da província e praticamente da população. Crianças aprendem sobre o mundo do crime desde cedo pois é sua realidade. O medo transforma as famílias em reféns e influencia na criação de seus filhos fazendo das novas gerações possíveis seguidores do temível destino desgraçado. Aí é que entra o Pe. Pino, vulgo 3P. A principal ameaça dos "donos" de Brancaccio.
O 3P também é professor de religião na escola em Palermo, na parte rica da província e é a partir dela que ele faz seu mais improvável discípulo: Federico é um rapaz de 17 anos, apaixonado por poesia, de família rica e está se preparando para uma viagem para a Inglaterra, onde pretende ingressar sua formação superior. Mas um convite do Pe. Pino para uma "mãozinha" com os meninos do futebol em Brancaccio muda a sua vida.
Federico conhece uma realidade distante da sua mas que ao mesmo tempo mora logo ao lado. As dificuldades e perigos que aquelas crianças vivem e o trabalho incansável do 3P para mudar o futuro dessas pessoas toca o coração do jovem assim como o faz enxergar que a vida real nem sempre é aquela que escolhemos enxergar. No meio daquela cidade tão bagunçada, chamada muitas vezes de Inferno, ele encontra o amor e uma bondade que nem ele sabia que existia dentro de si
Percebemos nessa obra como um trabalho, acima de tudo humanitário, muda a vida das pessoas de formas tão diferentes mas sempre importantes. A visão limitada que temos da realidade da vida é o que, de fato, nos cega. Um livro que não tem uma grande trama, o que não o impede de ser cativante quando nos apaixonamos pelos personagens e até quando levamos um tapa na cara toda vez que nos mostra o quão egoísta somos quando engradecemos problemas que sabemos serem pequenos.
Espero que tenham curtido, seus lindos! Beijo na alma!