Começar um chick-lit era justamente o que eu precisava para sair da minha 'vontade-nenhuma-de-ler'. E não poderia ter acertado da melhor forma em escolher uma nova série e uma nova escritora. Chicago Stars foi uma descoberta incrível numa dessas listas maravilhosas que existe no Goodreads durante minha busca incansável por livros com jogadores (o esporte não importa!).
Phoebe acredita que o pai sempre a odiou por causa do pouco ou nenhum interesse que tinha na sua vida. Bert além de ser ter feito escolhas loucas na hora de escolher suas esposas, não teve a sorte de ter um filho varão para poder levar à frente o legado de ser dono do Chicago Star, o time de futebol americano em Windy City. Então, na sua juventude Phoebe Somerville além de ser desprezada por ser mulher, também foi injustiçada por não ter um bom relacionamento com o primo Reed, que imediatamente colocou suas garras de fora, pois o fato de ser homem e da família tinha bons olhos com o tio.
E já que não tinha valor aos olhos do pai controlador e machista, Phoebe decide viver longe dele e traçar um rumo diferente para sua vida. Com roupas excêntricas, amizades com homossexuais, e atitudes que seu pai totalmente desaprova, e mesmo longe não cansa de mostrar seu desgosto para a filha. No entanto, Bert morre e agora Phoebe precisa voltar à cidade natal para a leitura do testamento, achando que seu pai a deserdou como havia falado.
"Durante semanas, quase não tinha deixado a cama. Ficou com o olhar fixo no teto enquanto gradualmente se convencia de que em certa maneira tinha tido a culpa de sua própria miséria."
E para sua surpresa acaba de receber a custódia da sua meia-irmã Molly e herda Chicago Stars. Mas o pai colocou uma meta de que precisa levar o time à vitória até o próximo afim de continuar sendo a proprietária, e se não for assim, seu odioso primo Reed será o novo proprietário. Para total divertimento do leitor, Phoebe é aquela que não está nem aí para o que recebeu. E em contrapartida conhecemos Dan Calebow, o treinador do Chicago Stars, que não acredita que uma mulher sem cérebro herdará o seu time e que pior ainda, ela não dá muito valor à isso. Mas para que o time continue indo em frente ele precisa da dona para assinar contratos pendentes de jogadores e outros assuntos, mas a mesma insiste em ignorar qualquer assunto a respeito disso, e Dan toma a frente em obrigar Phoebe a mudar de cidade e tomar seu lugar onde deve.
"Para alguém que paquera com tudo o que tem calças, você parece bastante nervosa comigo."
E é aí que começamos a perceber os dilemas de porque Phoebe em não quer liderar com nada, e a perceber como sua cabeça funciona. E também conhecemos melhor o próprio Dan que tem um temperamento explosivo e uma fama desde sua época como quaterback em ser frio. Ambos são cabeça dura, teimosos e rígidos, mas se completam totalmente de uma forma que à primeira vista faz o leitor pensar que são como água e azeite. No entanto, conforme vamos avançando nos capítulos percebemos como são mais parecidos do que deixam transparecer. Mas não conseguiram ficar juntos sem enfrentar seus problemas pessoais, deixar o passado de lado e decidir que querem ficar juntos.
"Estava confusa mas também cheia de uma estranha sensação de antecipação, com o pressentimento de que se ela não fosse embora tão rápido poderia ter ocorrido algo mágico."
Susan Elizabeth Phillips é uma autora que sabe introduzir assuntos sérios e realmente abordá-los da forma devida. Dessa obra temos Bert como um ser paternalista que subjuga seus desejos e deveres à alguém que tem vontades próprias, sendo além de machista, também grosso e desumano. Temos também o primo Reed, um ser egocêntrico e abusivo que imita os passos do tio. Alguns personagens tornam a narrativa divertida pois encontram sua própria voz num mundo que é controlado por aquele que sabe liderar. Além de termos uma protagonista que consegue se livrar de traumas do passado e tomar as rédeas da sua própria vida.
"Tinha sobrevivido a sua infância aprendendo a não amar muito a ninguém e a profundidade das emoções que Phoebe lhe provocava o aterrorizava bastante, mais do que qualquer defesa que já enfrentou."
Teve tantas coisas que amei nessa narrativa que fica difícil escrever sem contar spoiler. Mas principalmente preciso dizer como achei Phoebe uma pessoa incrível que consegue livrar-se de traumas do passado e toma as rédeas de sua própria vida. Ela sim é uma personagem forte, que não precisa gritar para receber respeito e muito menos faz ouvidos surdos quando recebe conselhos para mostrar um ponto; muito pelo contrário, ela consegue com seu bom humor consertar as coisas e ainda ajuda outros.
"Queria Dan Calebow. Não ao homem que a tinha atacada verbalmente essa manhã, e sim ao homem que tinha brincado com ela meigamente a noite em que tinham feito amor."
Foi além de uma leitura divertida, também muito instrutiva. Além de me deixar curiosa sobre outros personagens que virão nos próximos volumes da série.
Até então Chicago Stars contém 8 livros.