Ainda acho a família Holmes insuportavelmente prepotente e metida. Acredito que as duas palavras sejam sinônimas, mas não tem problema. Assim a gente tem uma ideia de como eles são.
Ainda não consigo superar a informação dada no primeiro livro de que todos os descendentes de Sherlock Holmes passaram por um curso intensivo a fim de serem bons em investigação e achar pistas como seu antepassado e viver à altura do sobrenome da família.
Já a família Watson é muito mais gente como a gente vivendo e respeitando o potencial de cada membro da família independente de quem foi seu antecessor.
Por isso que me entristece ver o Jamie correndo atrás de Charlotte e embasbacado com a inteligência dela. Meu, olha para essa menina! Ela é cheia de problemas e traumas por conta disso. Tem zilhões de segredos e seus pais metidos a besta sequer percebem.
Bom, essas foram as razões para eu ter demorado 2 anos para ler o segundo livro da série, embora tenha comprado junto com o primeiro.
Agora vamos falar dos motivos de "The last of August" ter sido um desprazer pra mim.
O livro anterior me deixou com a leve suspeita de que a relação entre Watson e Holmes era não era saudável. E a maneira como Brittany tinha escrito sua protagonista detetive a fazia parecer arrogante. Isso sem contar a informação de que ela deliberadamente prejudicou uma pessoa e a família acobertou.
Eu acho que incluí isso na resenha de "A study in Charlotte", mas receosa de estar vendo coisa demais. E preocupada se Brittany tinha noção do que escreveu se eu estivesse certa.
Bom, "The last of August" mostrou que nem eu estava enganada nem que Brittany acidentalmente escreveu tudo aquilo. Acho que ela apenas não liga de ter essas coisas no livro e espera que os leitores façam vista grossa?
Eu não gosto da Charlotte desde que ela foi apresentada e quanto mais informação recebo dela, gosto menos ainda.
Não consigo aceitar que ela arruinou a vida de August Moriarty só porque foi rejeitada romanticamente por ele (o que foi certíssimo já que ela era uma adolescente e ele um adulto). Ainda assim, ela age como se fosse a vítima da situação, surpresa que o resto do clã Moriarty busque reparação; e a família Holmes age como ela não tivesse feito mais do que uma brincadeira inofensiva.
Jamie também age como se Charlotte não tivesse feito algo abominável, pro meu desgosto, mas isso se deve porque ele está secretamente apaixonado pela nojenta e a família Watson tem uma dependência emocional com a família Holmes que precisa ser cortada.
É como li em algumas resenhas no Goodreads: nunca li as histórias originais de Sherlock Holmes, mas sir Arthur Conan Doyle não parecia desdenhar do Watson e Sherlock sabia separar o certo do errado. Não nesta versão de Brittany Cavallaro. Os mocinhos são vilões e os vilões (família Moriarty) são os mocinhos que Brittany, através da narração de Jamie, tenta a todo custo pintá-los como malvados. Talvez >ela< não saiba a diferença entre o certo e o errado.
Outra suspeita que foi esclarecida neste livro é como a família Watson é constantemente humilhada, manipulada e diminuída pela família Holmes e ainda assim eles os admiram e beijam o chão que eles pisam. Essa dependência precisa ser cortada urgentemente.
A sinopse do livro não poderia estar mais equivocada. Não, Holmes e Watson não têm um caso novo para resolver enquanto descansam dos eventos do livro passado. Tudo não passa de um respingo do que houve anteriormente. Não, Holmes e Watson não precisam lidar com o fato da amizade deles estar se tornando namoro.
Eles SEQUER são amigos, que dirá namorados! O que temos é Jamie unilateralmente desejando beijar, tocar em Charlotte, sonhando acordado com ela, imaginando diversas coisas enquanto ela tenta superar o trauma de ter sido estuprada. Thats creepy, bro!
Sem contar o óbvio: foi por isso que a autora alterou o gênero dos personagens? Para eles se envolverem? Ah, se apenas existisse gays, lésbicas e bissexuais neste mundo...
Olha, eu AMO o Jamie e o guardaria num potinho. Adoro seu humor afiado, tipicamente britânico, adoro que ele seja uma pessoa normal e não esnobe como a Charlotte achando que é mais inteligente do que todo mundo, amo que ele tenha traquejo social e me encanto por seu deboche. Deus sabe que eu não costumo dar a mínima por personagens masculinos em livros porque eles são tão... tipicamente macho hétero cis. Mas eu gosto do Jamie. Porém tinha hora que ele era muito boy lixo. Primeiro que: vamos superar essa paixão/obsessão pela Charlotte. Segundo que vamos trabalhar empatia pela coleguinha abusada sexualmente? Vamos dar espaço, ser compreensivos. Esperar ELA estar pronta para contato humano de novo e não quando VOCÊ quer.
E ele achando no início que rolava algo entre Charlotte e August? HAHA, eu ri. Bom, deveria rolar sim algo entre eles, especificamente puro ódio de August por ela e um desejo de reparação pelos seus erros da parte dela. Mas algumas páginas me mostraram que August é um banana capturado nessa admiração doentia pela família Holmes.
Fora disso, não há nada entre eles. Até porque August tem 23 anos; Jamie e Charlotte são dois fedelhos metidos a detetive de 17 anos.
Falando nele, August é... patético. Foi triste ver a que Brittany reduziu um cara rico, inteligente, com potencial de dominar o mundo. Primeiro ele desmerece o esforço que a noiva fez para vingá-lo, depois ele reclama da família. Ele parecia um cachorrinho desejando aprovação e amor da família Holmes. Definitivamente não merece o sobrenome que carrega e com certeza não merece o esforço que sua família faz para vingar tudo o que Charlotte aprontou contra ele.
No final do livro ele foi assassinado e eu tive que rir do papel de trouxa que ele fez durante o livro todo
Por causa da sinopse eu esperava um caso novo em folha, com novos suspeitos e motivação e a dupla mostrando que sabe sim investigar. Mas... obras de arte, museus, galerias de arte, saraus, compra e venda de artefatos raros por milhões para milionários falsificações, explicação das nuances de uma pincelada... taí um assunto que me faz bocejar. Eu tentei prestar atenção em tudo que apresentado, mas foi desinteressante pra mim e confuso de uma maneira geral.
E segundo que tudo continua se tratando da besteira que Charlotte fez aos 14 anos e ninguém quer que ela sofra as consequências. Seria tão mais fácil...
Em resumo: "The last of August" é respingo de tudo o que houve em "A study in Charlotte". Ainda pintando Charlotte como uma detetive afiada - através de situações forçadas porque na verdade ela é só uma adolescente rica inconsequente -, mas que subestima seu parceiro; Jamie como um pateta que não percebe uma pista mesmo diante de seu nariz e seus suspeitos que já vimos antes. Mais informações sobre o clã Holmes onde percebemos que esta família é problemática entre si e carrega todo mundo pro olho do furacão se não tomar cuidado.
Eu fiquei decepcionada. O final do livro anterior também me decepcionou, mas eu estava disposta a deixar tudo para dar e ver o novo começo da dupla. Porém não estava preparada para ler uma história que pouco inovou, só tomou emprestado os eventos anteriores.
Não me vejo lendo "A case for Jamie". Dizem as más línguas que o terceiro livro sofre do mesmo mal que este. E eu esperava ler uma releitura interessante de Sherlock Holmes, mas dessa vez com adolescentes normais (como Jamie) pegos no meio de um caso. Não isso. E muito menos copiado para os futuros livros.
Acho que minha decisão de não continuidade na leitura significa que cortei minha dependência com essa galera. E espero que Jamie Watson consiga isso também.
Ps.: Nos "Agradecimentos" Brittany escreveu "Obrigada e desculpas ao sir Arthur Conan Doyle" e após ver o que ela entregou nesses dois livros, ela deveria mesmo pedir desculpas a ele e aos leitores.