O papa Negro -

    João Machado Evangelho

    Fissus
    2003
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-10: 8587232223
    Português Brasileiro

    A eleição do Cardeal Francis Zamba, da Nigéria, explodiu como uma bomba nos meios internacionais e dentro da própria Igreja. O que pretendeu o último conclave elegendo o primeiro Papa negro da história da Igreja Católica Romana? Qual a intenção do novo Papa ao intitular-se Pedro Paulo I? Bem mais que a mudança de uma perspectiva, os votos dos Cardeais revelaram um movimento radical na estrutura e na ação da Igreja. O romance 'O Papa Negro' chega num momento em que o mundo se depara com questões humanas cruciais, instigando a Igreja a responder sobre seu sentido, seu serviço e seu futuro. Saiu na Imprensa: Isto É / Data: 6/8/2003 Censura de batina O padre carioca João Machado Evangelho é obrigado a cortar trechos de O papa negro Celina Côrtes Ele está entre a cruz e a caldeirinha. É a situação do padre carioca João Machado Evangelho depois de lançar seu primeiro romance, O papa negro (Fissus, 272 pág.), um exercício de liberdade que está trazendo sérias consequências à sua vida eclesiástica. Em “conversa fraternal”, o bispo da Diocese de Nova Friburgo (RJ), dom Alano, sugeriu a supressão de alguns trechos, como a menção à pedofilia e ao homossexualismo na Igreja. Mesmo concordando em alterar a segunda edição e aceitando a censura, padre Evangelho foi impedido de continuar dando aulas no Seminário Nossa Senhora Rosa Mística, em Nova Friburgo, de onde foi reitor de 1998 a 2002. “Não quero romper com minha Igreja”, desabafa ele, com fala mansa e professoral. Aos 55 anos, ordenado há 27, padre Evangelho é também mestre em teologia pela PUC-Rio, tem quatro livros de poesia publicados e já ocupou a Secretaria de Educação de Rio das Ostras, balneário do norte fluminense. Depois da polêmica no meio eclesiástico, ele trata o assunto da censura com toda cautela, embora admita que esteja sendo posto “na geladeira”. Internamente, antigos colegas o têm acusado de sarcástico e desmoralizador. “Mas eu me sinto tranquilo”, afirma, confiante de que o mal-estar vai passar. A inspiração para o livro veio da idade avançada do papa João Paulo II e o consequente tititi em torno da sua sucessão. “Pensei, então, na chegada de um papa negro, para resgatar a dívida da Igreja com a África”, explica. Na trama, as idéias revolucionárias do novo pontífice causam turbulência no Vaticano. Questões morais e éticas, como o homossexualismo, a pedofilia, o aborto e o casamento entre divorciados, apimentam a obra. Padre Evangelho é acusado de retratar personagens da vida real, mas assume a existência de pelo menos um fato verídico, o do padre Alberto – no livro chama-se Adalberto –, um tetraplégico proibido de ministrar os sacramentos. A história foi vetada. “Mesmo à revelia das orientações arquidiocesanas, tendo perdido por isso o uso da ordem, ele continua a desenvolver sua missão de pastor”, diz o autor, num dos trechos sob censura. Outra parte que causou incômodo à Diocese de Nova Friburgo é a relação homossexual entre dois religiosos, o Padre Guido e o monsenhor Rinaldi. “Estavam com as cabeças encostadas e conversavam com as mãos ternas e juntas (...) um suave beijo recolocou o tempo naquele espaço.” O padre João Machado Evangelho deixa claro que O papa negro é uma ficção. E, apesar de ceder à tesoura, afirma que seu livro simboliza o desejo de uma Igreja mais evangélica, que mobilize a esperança popular.

    Resenhas (2)Ver mais
    Marcelo Guimarães de Araujo picture
    Marcelo Guimarães de Araujo13/11/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Que igreja é essa?

    João Machado Evangelho, padre católico cuja amizade pude desfrutar durante minha estada na faculdade de Letras, é conhecido no meio cultural das cidades onde já viveu como ótimo poeta. Particularmente, encanta-me seus aikais. Nesse livro, ele aborda temas problemáticos da igreja católica tais como pedofilia e homossexualismo. Livro de narrativa simples, mas de temática instigante, "O Papa Negro" é ambientado em Roma e no Brasil, com destaque para cidades como Rio de Janeiro, Petrópolis e Nova Friburgo. Vale a pena a leitura por explorar os anseios e a fragilidade dos clérigos, desfazendo o mito que ainda persiste de que eles sejam "homens de Deus" e, por isso, estejam acima de nós, "simples mortais."

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