A história de Ravensbrück, o campo de concentração nazista para mulheres Campo de concentração destinado especificamente para mulheres, Ravensbrück foi concebido por Heinrich Himmler, arquiteto do genocídio nazista. No fim da guerra, 130 mil mulheres de mais de vinte países europeus foram prisioneiras lá, incluindo nomes proeminentes como a sobrinha do general De Gaulle a irmã do prefeito de Nova York durante a guerra. Por décadas, a história de Ravensbrück ficou escondida por trás da cortina de ferro, e até hoje é pouco conhecida. Usando testemunhos desenterrados desde o fim da Guerra Fria e entrevistas com sobreviventes que nunca antes haviam falado, Sarah Helm foi ao coração do campo, demonstrando, com minuciosos detalhes, o quão fácil e rapidamente o terror evoluiu. Inspirador, arrepiante e profundamente comovedor, este livro é um trabalho revolucionário de investigação histórica. Com rara clareza, lembra-nos da capacidade do ser humano tanto para a crueldade bestial quanto para a coragem e resistência contra todas as possibilidades.
Ravensbruck - A História do Campo de Concentração Nazista Para Mulheres
Sarah Helm
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Ver maisUm dos mais completos que já li sobre o tema.
Alerta textão, porque este livro mereceu! Ravensbruck foi um campo de concentração para onde eram levadas as mulheres, de várias nacionalidades, judias e não judias, que os nazistas consideravam perigosas ou inúteis (para o trabalho e para a sociedade), também conhecidas como marginais sociais. Foi lá onde foi implementado pelo médico sádico Walter Sonntag os experimentos mais terríveis, usando prisioneiras como cobaias. Historicamente pouco se fala sobre as mulheres. O que é aterrador, pois mais da metade das vítimas foi composta por mulheres. Há vários pontos altos nesta leitura e, para mim, um deles foi conhecer mais sobre como foi a passagem de Olga Benario Prestes neste campo. Outro ponto que se destacou pra mim foi em relação a força, a coragem e a resistência apresentadas por alguns grupos como as soviéticas, as francesas, as polacas e as testemunhas de Jeová que, mesmo a base de torturas, castigos e condenações à morte, se recusaram até o fim a abrir mão de suas convicções e fé. Um diferencial deste livro é que ele conta não só a história de algumas prisioneiras (tanto de figuras femininas emblemáticas do Comunismo quanto de anônimas notáveis) como também de alguns funcionários/funcionarias. Nessas histórias são dados exemplos de pessoas que deixaram seu lado mal ou seu lado bom aflorar. Afinal, são nas situações de maior tensão e desespero que somos postos à prova. Como era de se esperar em leitura deste tipo, muita coisa foi difícil de digerir. A indignação borbulhou ao saber que a empresa Siemens não respondeu judicialmente por ter usado o trabalho escravo das mulheres de Ravensbruck e por ter feito vistas grossas aos maus tratos e as execuções as quais elas eram submetidas. Muitos guardas e funcionários do campo de concentração não foram sequer julgados. E, como se isso não bastasse, estas mulheres também foram vítimas de abusos pelos soldados soviéticos que foram vistos como “salvadores”. Durante anos elas foram impossibilitadas de contar sobre suas experiências porque ninguém queria saber sobre os horrores que elas viveram, bem como não queriam denegrir a imagem de salvadores dos soldados. Enfim, é tem tantos absurdos e podridão envolvidos na histórias destas mulheres que chega a ficar impossível retratá-los. A qualidade da pesquisa e da escrita da autora são tão impressionantes que parecia que ela tinha participado de cada etapa de construção e funcionamento do campo de concentração, alem de ter conhecido pessoalmente cada personagem desta história e, de quebra, nos levado junto como companhia. Para quem se interessa pelo tema, considero este uma leitura obrigatória. Super recomendo.
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