Meritíssimo... Por Que Tantos Méritos? -

    Cyro Marcos da Silva

    Emporio do Direito
    2016
    214 páginas
    7h 8m
    ISBN-13: 9788568972793
    Português Brasileiro

    Eis aí um novo livro: Meritíssimo… por que tantos méritos? Este é o título de um trabalho meu que está aí no livro. É como se endereçavam a este juiz quando recebia, durante alguns anos esta forma de tratamento. E é como todos ainda se dirigem aos juízes; me-ri-tís-si-mo! Se um juiz é assim denominado, assim tratado, pode-se perguntar: por que tantos méritos? De que posição se lhe supõem tantos méritos? E que méritos são estes? Isto advém da sua função simbólica, como é de se esperar, ou de incensos narcísicos com que muitos deles gostam de se enfumaçarem, de se alimentarem? Passadas mais de duas décadas da data em que fiz esta palestra lá em Belo Horizonte, a convite da Amatra, as questões que ali coloco continuam pulsando, ainda sempre nascedouras, vivas, incomodando e desalojando os que por elas se deixem afetar. Melhor seria se os que forem afetados fossem os próprios juízes. Ou os que vierem um dia a ocupar este lugar. Afinal, foi por ter passado por este lugar que me autorizei a escrever sobre isto. Com estes textos, faço existir um livro. Mais um. Fui juntando as palestras que fiz por aí afora durante um tempo e aqui as reuni. Todas as palestras falando de Direito e Psicanálise. Algumas estão mais “datadas” e pode ser até que a parte técnica do Direito tenha sido alterada. Como a parte teórica tem mutações mais lentas, certamente estará mais preservada. Resolvi não retocar, não readaptar aos tempos. Prefiro o sabor e o cheiro da história que venha a exalar do folhear das páginas. Outros textos estão como se eu os tivesse escrito ontem. Ou hoje mesmo. Alguns enunciados, é bem possível, talvez pudessem ser revisados. Outros não. Prefiro deixar este exercício ao leitor. Porque não é um livro didático. É um livro de alguém que, tendo pertencido ao Ministério Público e à Magistratura, e depois exercendo um trabalho clínico psicanalítico, escreveu e falou estes textos, todos eles remarcados pela incidência do discurso analítico. Vou deixá-lo assim.

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    Paulo Incott10/03/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Meritíssimo Por que tantos méritos?

    Cyro foi advogado, promotor e juiz. Hoje é psicanalista já com vasta experiência nesta atividade. Essa formação faz de seu lugar de fala algo único. Em sua obra, construída de palestras e assim fora dos moldes costumeiros dos livros "técnico-científicos", emergem alguns pontos bastante interessantes e úteis para quem deseja beber da fonte da psicologia e do direito alternadamente. Um deste pontos é o fato do autor recomendar bastante prudência na interlocução entre direito e psicanálise. Sue receio parte de duas diferenças fundamentais entre estes ramos do saber: a psicanálise ocupa-se de uma escuta estruturalmente diferente da do direito. Além disso, lida com sujeitos diferentes, ou melhor, em situações muito distintas (desejos distintos). Isso precisa ser levado em conta para não se perder o rumo ou se criar ficções nesta tentativa de diálogo entre psicanálise e direito. Cyro também se debruça com propriedade sobre os limites e desafios para atividade dos magistrados, percebendo a necessidade de uma retomada do simbólico e pleiteando uma visão lacaniana desta função, ou seja, de regulação do gozo e não como costumeira tem sido, de imposição de um bem, do bom. Por fim, destaca-se na visão do autor a concepção de que o direito precisa se recusar à tarefa de ser total, de ser completo, de sanar toda a violência ou disputa, reduzindo-de a um papel mais sóbrio, de propiciador de um limite razoável do gozo e da regulador de uma equilibrada relação com o gozo do Outro.

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