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    Todos Os Romances e Contos Consagrados de Machado de Assis - Esaú e Jacó, Memorial de Aires, Contos Consagrados

    Machado de Assis

    Nova Fonteira
    2016
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-13: 9788520926383
    Português Brasileiro
    4.2
    76 avaliações
    Leram98Lendo22Querem319Relendo0Abandonos1Resenhas9
    Favoritos7Desejados319Avaliaram76

    Este volume é composto pelos dois últimos romances de Machado de Assis - em que aparece a figura do conselheiro Aires, para muitos uma espécie de alter ego do escritor -, por uma seleção dos contos mais famosos do bruxo do Cosme Velho e também por uma biobibliografia. "Há frases assim felizes. Nascem modestamente, como a gente pobre; quando menos pensam, estão governando o mundo, à semelhança das ideias. As próprias ideias nem sempre conservam o nome do pai; muitas aparecem orfãs, nascidas de nada e de ninguém. Cada um pega delas, verte-as como pode, e vai levá-las à feira, onde todos as têm por suas." (Capítulo XXXVII - "Desacordo no acordo", de Esaú e Jacó). Contém 11 Contos Consagrados: "As academias de Sião", "A igreja do diabo", "A cartomante", "Cantiga de esponsais", "A desejada das gentes", "Noite de Almirante", "Missa do galo", "Uns braços", ""O enfermeiro", "Conto de escola", "Um apólogo".

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    Clara picture
    Clara04/03/2026Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Ele, que tanto falara das vantagens do dinheiro, morreu apaixonado como um simples Wherter."

    O Realismo é posterior ao Romantismo em termos cronológicos e geralmente representam, de maneira simultânea, a maturação da escrita de um autor. A sociedade parece contemplar outra coisa: a vida vista pela vida. Estavam cansados de sonhar sonhos que não se realizam. Estavam cansados de olhar para o mundo e não ver nada daquilo. Servia de consolo e até escape, servia para relembrar a infinitude da beleza do amor, da arte, da vida. Mas há também, e inesgotável beleza, na realidade. Nesta imbricação entre termos técnicos ou preferências estéticas, o fato que emerge é que, de maneira simbólica, ambas as fases representam, ironicamente, a evolução do nosso próprio ser. Isso explica o porquê de, aos 15 anos, grandes estórias de romances "simples", idealizados e moralmente aceitos me causavam grandes suspiros e despertavam um sonho bem distante. Era o nascimento de uma esperança que, segundo Machado, é "uma planta daninha". Crescemos e entendemos as ambiguidades das relações humanas, ao passo que aprendemos a lidar com isso e parar de se afundar em "porquês". Os porquês são inúteis. É impossível saber, integralmente, os motivos do curso da vida. O mais sábio é aceitar. As indagações, os contextos abertos, vagos, amplos e incertos ganham relevância em um mundo que é, em primeira e última instância, repleto de incerteza. Fazemos as pazes com as dúvidas e passamos a contemplar o abismo. Tiramos as máscaras das pessoas e das coisas: passamos a vê-las como realmente são, e isso nos causou estranhamento e até repulsa, até o momento em que nos enxergamos, também, como sendo parte dessa camada contraditória. Somos o resultado dessa realidade, que não é inventada, como Clarice previu. Realmente enfrentamos uma certa limitação que nos impede de viver constantemente distante do que foi previamente estabelecido como "passível de fazer sentido". Assim Machado surge, como uma espécie de grande "desvelador" da alma humana. Através de costumes e ironias de determinada classe social e determinado tempo, ele nos dá um espelho. Somos essas pessoas e nascemos entre elas e morreremos assim, cheios de opiniões mal elaboradas, aprendendo a viver a vida e desqualificando quem tem mais tempo aqui. Afinal, eles não sabem de nada, nós é que fazemos o certo, mesmo que depois sempre acabemos no mesmo lugar, atolados de um sofrimento que parece não ter fim. No Romantismo não, há praticidade. Ele me quer e eu o quero, então seremos felizes. A vida não é, em linhas gerais, tão simples assim. Mas não significa que não seja bonita. "Concernentes ao barro comum da humanidade, manifestam-se, nos mundos concebidos por Machado, amores vividos como conflito e fonte de tensões", escreveu um estudioso. E eu complemento: esses amores vividos são os amores reais, que quando se faz em uma junção de duas almas, nem sempre se alinham, pois dependem de duas vontades, e uma delas que está além do nosso poder. Talvez esse seja o incômodo e o prazer, saber que não podemos nada. Nem tudo está ao nosso alcance e deveríamos agradecer por isso. Não teríamos mais objetos a almejar, pontos a percorrer e nem bagagem para pensar criticamente. Como odeio reducionismos em sua definição leiga, não quero associar Machado à questões de natureza amorosa. Ele faz muito mais que isso, e o faz muito bem. Há o imperialismo para não pensar em Flora como sendo uma simples "namoradeira", o narrador então nos convida a enxergá-la sob outra ótica. A própria inconsistência na relação de Esaú e Jacó (Pedro e Paulo) revela a fragilidade humana. Espera-se um sentimento fraternal, de proteção e devoção mútua, encontra-se uma aversão inexplicável, que nem as "coisas futuras" foram capazes de mitigar, nem o amor de mãe, o maior e mais profundo entre todos já elencados. Aires se deleita vendo a sua própria felicidade escapar pelas mãos, ele se conforma com o seu sonho se desfazendo na sua frente, e lida bem com isso, até o limite em que se pode lidar. Passa uma vida inteira sendo fonte de ensinamentos para os outros e é negligenciado quando mais precisa de um pouquinho de amor. A vida parece ter se esquecido dele, mas a ressignificação de sua vivência nos fortalece para o abandono das idealizações românticas. Nem todos nasceram para viver isso, e ainda bem que essa não é a única fonte de felicidade. De alguma forma, o Realismo nos ensina a viver.

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    Joaquim Maria Machado de Assis profile picture

    Joaquim Maria Machado de Assis

    Joaquim Maria Machado de Assis, jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis. Filho do operário Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo, pouco mais se conhecendo de sua infância e início da adolescência.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Joaquim Maria Machado de Assis