#Fui é um dos mais recentes lançamentos da editora Globo Alt. Recebido em cortesia pelo blog, é a história de uma jornada de auto-descobrimento e mudanças.
Lully vai participar de um intercâmbio. Por quatro meses, vai ficar longe de tudo que conhecia e considerava confortável; e pra ela tá tranquilo, tá favorável, porque a Lully é o tipo de pessoa que não se deixa abalar pelas coisas. Paranoica e neurótica, sim, mas não do tipo que vê obstáculos e foge deles. Longe do namorado e da mãe, ela está pronta para novas experiências.
Preciso começar a resenha dizendo que tive um pequeno probleminha com esse livro: a protagonista. Apesar de bastante carismática, eu não consegui a conexão necessária com a personagem pra rir das suas tiradas. Na verdade, das vezes em que ri da Lully, era quando ela não estava tentando ser engraçada. O que não é um problema para a história, longe disso. Eu acredito que a linguagem e a abordagem da personagem são para um público mais jovem; como diria o Azaghal, eu talvez seja "véia paia" demais pra esse tipo de humor. Minha irmã, por exemplo, adorou a personagem, achou ela hilária.
"Sou tipo a Luna Lovegood. O mundo não está preparado para as minhas epifanias."
Do meio para o fim do livro os exageros de tiradas cômicas da protagonista deram uma diminuída, quase como se puxasse as rédeas e deixasse uma leveza pairar sobre os pensamentos da protagonista, aquele típico amadurecimento que a gente espera em leituras assim, e aí sim eu consegui me conectar com ela.
"O primeiro passo na montanha, a gente nunca esquece. É de tirar o fôlego."
O livro, em si, é uma jornada. Minha parte favorita foi a ambientação bem rica e interessante de todo o intercâmbio da Lully. Coisas que eu tinha bastante curiosidade em saber sobre esse tipo de aventura - porque deixar tudo o que você conhece, tudo de confortável na sua vida e se enfiar em um país desconhecido é uma grande aventura! - e o livro me respondeu. A sensação de imersão no curso, nos aprendizados e nas descrições dos lugares que ela visitava foi maravilhosa. Os lugares, principalmente, o modo como a Lully nos conta sobre eles faz você se sente parte de tudo aquilo. Você vislumbra cada momento muito nitidamente.
Os personagens secundários eram divertidos e bem inseridos na trama, e meu favorito foi o Blue desde o princípio. Ele estava ali como o típico melhor amigo que você sabe que pode se tornar algo mais; Lully e ele se entendem muito bem, mais do que a maioria das pessoas. Trocavam referências nerds engraçadas, conviviam com os mesmos tipos de medos. Achei o envolvimento entre os dois muito bem desenvolvido.
O ponto chave do livro é sobre mudanças. Não apenas de lugar, de ambiente, de convivência, mas o que elas significam realmente para uma pessoa. O que é vivenciar novas experiências e usar esses caminhos para trilhar seu futuro e mesmo seu presente; como essas experiências definem quem você é, quem você quer ser. A jornada da Lully é quase de auto-descobrimento. Todas essas semanas longe de casa, da mãe, do namorado, do que é conhecido, isso abre sua visão para o que o mundo oferece de verdade. O que ela pode fazer se resolver se arriscar nele.
Esse é o tipo de leitura leve recomendada para quem não quer drama e nem grandes reviravoltas chocantes. Meu problema com o humor da personagem pode não ser o mesmo que o de outro leitor, fato comprovado pela minha irmã. Como eu disse, a mensagem dentro da história é ótima. É convidativa e bem trabalhada. Recomendo para quem busca uma obra bacana sobre novas experiências, sobre coragem e sobre amizades.